15 de mai. de 2011

72 MANEIRAS DE DAR UM UPGRADE NA VIDA




 72 maneiras de dar um upgrade na vida
Dizem que a felicidade está nas pequenas coisas. Consultamos um esquadrão de especialistas para descobrir estratégias simples que vão tornar você mais alegre, forte e saudável
Por Alice Ellis, Ivonete Lucirio e Tara Ali // Ilustrações Evandro Bertol
Nutrição
1 Evite misturar alimentos ricos em ferro, como folhas escuras, com leite e derivados, pois o cálcio dificulta a absorção de ferro. “Já a vitamina C facilita”, afirma a nutricionista Andrea Ramalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Um copo de suco de laranja é um bom companheiro para saladas.”
2 Reserve a junk food apenas para os dias em que você está desesperada para se acabar na batata frita. Um estudo realizado na University College, na Inglaterra, demonstrou que um padrão alimentar baseado em frituras, carnes processadas, gorduras trans, cereais refinados e açúcar dobra o risco de depressão na meia-idade.
3 Por falar em açúcar, saiba que ele se esconde nos alimentos mais insuspeitos: 100 g de shoyu têm 1,7 g, e a mesma quantidade de molho barbecue, 8,3 g.
4 Cuidado também com o sal. A quantidade recomendada é 2,4 mg por dia de cloreto de sódio, encontrados em 6 g de sal, equivalentes a 1 colher de chá (sim, o que está no tempero da comida também conta).
5 Vitamina E previne a demência, segundo um estudo publicado no início do ano na revista americana Arquivos de Neurologia. Ela está presente em margarinas, maionese e óleos de girassol e de soja.
 Dose extra de nutrientes
6
Para aumentar o consumo de vitamina C, prefira o kiwi (73 mg por 100 g) à laranja (53 mg por 100 g).
7 Eleve a ingestão de potássio trocando banana (342 mg por 100 g) por abacate (509 mg por 100 g).
8 Coma feijões (3 g por 100 g) em vez de pepino (0,7 g por 100 g) e consuma mais fibras
9 Coma chocolate (precisa mandar?). O pó do cacau é rico em antioxidantes chamados flavonoides, eficientes para reduzir o risco de doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Quanto mais amargo, mais flavonoide. Escolha as versões com 70% de cacau ou mais.
10 Dez minutos. Esse é o tempo que o alho picado pode ser exposto ao ar antes de cozido para maximizar seu poder de combate ao câncer, segundo um estudo do Instituto Americano para Pesquisas sobre o Câncer.
11 Para evitar contaminação, guarde os alimentos na geladeira em vasilhas tampadas ou cobertas com filme plástico. “Mas espere que esfriem antes. Se cobrir o alimento ainda quente, haverá acúmulo de água, o que afeta sua conservação”, aconselha a bioquímica Maria Tereza Destro, da Universidade de São Paulo.
12 Pelo mesmo motivo, evite aqueles com placas de gelo, sinal de que foram congelados e descongelados mais de uma vez.
13 Ao fritar ou saltear um alimento, use apenas 1 colher de sopa de óleo. Acrescente um pouco de água durante o cozimento para o alimento não ficar ressecado.
Fitness
14 Invista numa forma energizante de começar o dia segundo a ioga: deite-se de costas, estenda os braços acima da cabeça e estique mãos e pés em direções opostas. Permaneça na posição durante dez respirações.
15 Coloque uma toalha dobrada na forma de rolinho sob a lombar enquanto fizer abdominais. Você trabalha melhor os músculos sem forçar as costas.
16 Em vez de se alongar apenas antes e depois dos exercícios, faça isso várias vezes por dia. “Quando estou esperando por um café, por exemplo, fico na ponta dos pés e alongo a panturrilha”, conta a educadora física americana Michele Bridges. “Enquanto subo uma escada, alongo os braços.”
17 Faça uma pausa no trabalho e dê um abraço em si mesma. Entrelace os braços ao redor do próprio corpo como se quisesse juntar as mãos nas costas. Assim você alonga os músculos das costas e dos ombros.
Corrida eficiente
18 Em vez de correr longas distâncias, dê tiros. “Essa técnica estimula a capacidade aeróbica, o que facilita a perda de peso e aumenta a queima de gordura”, diz o personal trainer Logan Hood. Use a proporção de um para três: 60 segundos de descanso para 20 segundos de corrida.
19 Mude a perspectiva durante a corrida. Para cada 33 calorias queimadas correndo normalmente, 42 são destruídas quando se corre de costas, segundo um estudo do periódico American Fitness.
20 Se estiver correndo em uma superfície plana, mire o horizonte para prevenir má postura.
Dieta
21 Masque chiclete sem açúcar. Mastigar goma durante três sessões de 20 minutos pela manhã faz consumir menos 281 calorias no almoço.
22 Pratique ioga antes do almoço. Um estudo realizado pelo Centro de Pesquisa em Câncer Fred Hutchinson, nos EUA, mostrou que esse exercício ajuda a pessoa a comer mais conscientemente.
23 Você malha para perder peso? Mude o estímulo. Um estudo do periódico Sex Roles mostrou que mulheres com essa meta passavam 40% menos tempo na academia do que aquelas em busca de ficar mais saudáveis.
24 Coma pimenta. Sua ingestão diária queima 100 calorias por semana. Parece pouco, mas na dieta qualquer grama conta.
Soluções ecológicas
25 Evite lavar a roupa com água quente ou morna. Cerca de 90% da energia gasta pela máquina de lavar é para aquecer a água. Além disso, a roupa encolhe menos com água fria.
26 Dê uma segunda chance aos post-its. Depois que a mensagem não tiver mais importância, vire-o ao contrário. Para poder ainda usar a parte adesiva, dobre-a para trás.
27 Leve uma caneca para o trabalho para tomar água ou café. Assim, você poupará centenas de copinhos plásticos.
28 Recicle o óleo usado para fritar os alimentos. Quando despejado na pia, ele é altamente poluente. Após usar o óleo, deixe-o esfriar e coloque em um vasilhame fechado, como uma garrafa pet. Leve a um posto de reciclagem. Mais informações no site www.ecoleo.org.br.
29 Dica do Instituto Akatu, voltado ao consumo consciente: a redução de resíduos começa no supermercado. Procure alimentos frescos, como frutas, verduras e legumes, sem nenhum invólucro. Para outros produtos, como bebidas, prefira as embalagens retornáveis em lugar das descartáveis.
30 Nem sempre dá para consumir apenas alimentos orgânicos. Mas vale a opção principalmente no caso dos vegetais que apresentam uma contaminação maior por agrotóxicos. Uma pesquisa realizada em 2008 pela Vigilância Sanitária encontrou os principais vilões. Das amostras de tomate analisadas, 44% estavam contaminadas por agrotóxico. Entre os morangos, o índice foi de 43%.
31 Diminua a poluição e os gastos com combustível calibrando os pneus pelo menos uma vez por mês. Pneus bem calibrados proporcionam um desempenho 3,3% melhor.
32 Em vez de usar químicos para limpar as janelas, faça uma mistura de 15 ml de vinagre branco e 450 ml de água. Jogue como spray nos vidros e depois limpe com jornal ou papel-toalha.
33 Coloque várias garrafas de água dentro dela. A água retém mais a temperatura baixa do que o ar. Logo, o consumo de energia será menor.
34 Não guarde comida quente na geladeira. O eletrodoméstico precisa trabalhar mais para refrigerar seu interior. Ruim para o planeta, para o seu bolso e para a sua saúde.
35 Desencoste a geladeira da parede e limpe as molas a cada seis meses. Isso faz com que ele funcione melhor.
36 Instale um pontinho preto na tela do computador. Parece besteira? O Projeto Black Pixel foi criado pelo Greenpeace e o raciocínio é o seguinte: um pontinho preto na tela economiza 0,057 watt por hora. Se 1 milhão de pessoas aderirem, será o equivalente a 1 425 lâmpadas apagadas por hora. Para baixar o programa e instalar o Black Pixel no seu computador, acesse www.greenpeaceblackpixel.org/#/pt.
37 Escolha eletrodomésticos que tenha o selo Procel. Ele indica os produtos que apresentam os melhores níveis de eficiência energética dentro de cada categoria
Saúde
38 Faça um coffee break quando aprender algo importante. O intervalinho ajuda a mudar o canal do cérebro para ele fixar o que foi aprendido, diz uma pesquisa da Universidade de Nova York, nos EUA.
39 Para acabar com o mau hálito, escove a língua até retirar a camada de muco chamada saburra. Depois faça bochechos com própolis. “Ele funciona como um antibiótico, matando bactérias”, diz o cirurgião-dentista Mario Groisman, da Academia Brasileira de Odontologia.
40 Se os dentes estiverem sensíveis, aplique sobre eles uma pasta específica para isso. Massageie e não enxágue. Na escovação, seja delicada para não danificar mais o esmalte.
41 Dica para pele oleosa: “Lave o rosto apenas duas vezes por dia, com sabonete para esse tipo de pele”, aconselha a dermato Fernanda Casagrande, da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.
42 Não lave o rosto com água quente. “A associação de sabonete e calor retira a hidratação natural. A pele fica vermelha e parece plastificada”, diz Fernanda.
43 Para fazer a cabeça funcionar, use técnicas de associação. Ao decorar o telefone do paquera no bar, pense em datas: os dois primeiros dígitos são o aniversário da sua mãe; os dois seguintes, a data da sua formatura etc.
44 Quer memorizar uma situação? Tire uma fotografia visual do momento. Ao chegar em casa, por exemplo, faça uma imagem de você colocando a chave do carro sobre a geladeira. Você vai se lembrar dela.
45 Incline o espelho retrovisor do carro um pouquinho para cima. Assim, você se obriga a ficar ereta.
46 Faça uma automassagem para aliviar o stress. Pressione por 10 segundos os seguintes pontos:

Bons sonhos
47 Teste seu travesseiro: coloque sobre ele um livro grosso. Se afundar e voltar à posição normal sem o peso, está ok. Isso não acontece? Hora de trocá-lo.
48 Deite-se uma hora mais cedo: 60 minutos de sono oferecem a energia de dois cafezinhos.
49 Se o sono demorar para chegar, pense em algo monótono, como a aula de metodologia de pesquisa científica da universidade.
50 A técnica da imagem mental funciona. Imagine-se numa praia ou deitada em um barco. Recrute os sentidos: o som da água, a brisa batendo no rosto...
51 Guarde o relógio na gaveta. Ver as horas passar enquanto o sono não vem aumenta a ansiedade, o que tira o sono.
Esquadrão antidor
52 Tome o analgésico para dor de cabeça com uma dose de café. “A cafeína é analgésica e potencializa a absorção da droga”, diz Abouch Krymchantowsky, da Sociedade Brasileira de Cefaleia.
53 Use antibiótico sob recomendação médica. Seu uso abusivo deixa os micro-organismos mais resistentes. Hoje, 40% dos remédios vendidos no Brasil são antibióticos.
54 Combata a enxaqueca com compressa de gelo na parte da cabeça que dói. “O efeito é o mesmo das rodelas de batatas usadas por nossas avós”, diz Célia Roesler, da Academia Brasileira de Neurologia.
55 Não trate dor de dente com compressas. A dor aumentará se for causada por um abscesso. Apenas tome um analgésico.
56 Alivie o cansaço com a dica da médica Adriana Athias, do Rio de Janeiro: a) deite-se de barriga para cima, joelhos flexionados e pés firmes no chão; b) contraia abdômen e bumbum, tentando elevar os quadris, e conte até 5; c) abaixe os quadris e conte até 5; d) repita duas vezes; e) abrace os joelhos.
57 Para dor de estômago, beba chá com espinheira-santa. Os taninos da erva são analgésicos e coíbem a produção de ácido clorídrico no estômago.
58 “Alguns hábitos evitam o surgimento da azia: mastigar bem, não encher o estômago e evitar condimentos”, diz o gastroenterologista Luiz Chehter, da Unifesp.
Relacionamento
59 Pare com a mania de perseguição, principalmente no trabalho. É muito pouco provável que aquela reunião na sala do seu chefe seja para falar mal de você.
60 Dê-se o direito de ter prazer. Abra o prosecco guardado há meses, ponha o faqueiro novo na mesa e use o vale-massagem.
61 Tenha tato com seu amor. “Manter o amor é como andar de monociclo: se parar, cai”, diz Ailton Amélio da Silva, psicólogo.
62 Amélio conta como conquistar alguém numa conversa: vire o corpo para o interlocutor; incline o tronco para a frente; retire obstáculos físicos entre vocês; olhe para ele o tempo todo; pare de fazer qualquer outra coisa.
63 Não fique só. Pesquisas comprovam que solidão e doença caminham juntas. Não, o benefício dos relacionamentos das redes sociais não é o mesmo.
64 Na hora da transa, combine com o parceiro um sinal de “Pare agora”. No calor dos lençóis, ele interpreta o não dengoso como sim.
65 Deixe de ser submissa na cama. Um estudo da Universidade de Michigan, nos EUA, mostrou que submissão diminui a libido.
66 Prepare-se para o sexo com um banho. “Muitas mulheres precisam de uma transição entre o stress do dia e o desejo sexual”, explica o terapeuta sexual americano Ian Kerner
67 Dê risada das piadas do seu parceiro. Um estudo da Universidade McMaster, no Canadá, mostra que ajuda na autoafirmação dele.
68 Dê risada de qualquer coisa, aliás. Além de aliviar o stress, aumenta o fluxo de sangue nas artérias, segundo o American College of Sports Medicine.
69 Para muitas mulheres, o prazer é maior quando o pênis é inserido na vagina pela frente. Aumente a penetração apoiando as pernas nos ombros dele.
70 Desista dos metrossexuais. Um artigo do periódico Psychology of Man and Masculinity mostra que as mulheres acham esse estilo pouco sensual.
71 Esqueça o conceito de que os opostos se atraem. Segundo um estudo das universidades de Illinois e do Novo México, nos EUA, as pessoas se atraem por quem se parece com elas.
72 Abrace seu namorado após brigar com ele. Um estudo da revista Psychosomatic Medicine confirmou que o contato físico eleva os níveis do hormônio oxitocina, que fortalece laços.
Fonte:Revista Women'shelath.

QUER CHEGAR AOS 100 ANOS BEM?











Quer chegar aos 100 anos bem?
A sua identidade pode virar o cabo da boa esperança. Você será jovem por mais tempo, com disposição e saúde pra dar e vender. São as apostas de muitos médicos. Depende quase só de você. Duvida?
Por Simone Mousse
Quando você assiste ao Jornal Nacional e vê algumas pessoas comemorando 100 anos, pensa o quê? Nem quero viver tanto para não ficar tão... velhinha! Faz sentido. Hoje, chegar a essa idade ainda é um desafio da medicina e, vamos ser sinceras, a maioria não exibe tanta saúde que faça a gente morrer de inveja de ter uma vida tão longa. Pois bem, pode começar a rever seus planos de vida, porque se depender do que vem por aí a sua identidade vai bater nos três dígitos fácil.
A grande diferença é que você terá energia para brincar com seus bisnetos, caminhar na praia, viajar e, vá lá, trabalhar, se ainda tiver vontade. Sem sinais de cansaço, doenças e limitações físicas. Essa ideia nem sequer era cogitada no século 19, quando morrer aos 40 era regra, não exceção. Neste início de século 21, não só isso se tornou viável como os prognósticos são bons. Seguindo esse ritmo, há quem prediga que, daqui a 20 anos, passar dos 100 com vitalidade será mais do que somente possível; será comum. O que você precisa para fazer parte dessa nova estatística é manter hábitos saudáveis ou começar as mudanças que garantirão que você será uma coroa de 100, e não de 60.
E só mais uma coisa antes que você entenda como será possível. Nada de radicalismo. Viver mais só vale a pena se a gente puder aproveitar as coisas boas da vida. Tomar uma cervejinha, comer pastel de vez em quando e dormir de make depois de uma noitada não vão lhe mandar acertar as contas no purgatório mais cedo.
A bola está com você
Um dos maiores defensores da tese dos 100 anos é o médico americano Louis Ignarro — vencedor do Prêmio Nobel de Medicina em 1998. Ele acredita que cada um de nós é responsável por nossa longevidade. Você vai dizer: como assim? Isso mesmo, amiga, excluindo-se os fatores genéticos, que precisam ser levados em consideração, manter uma dieta saudável e praticar exercícios regularmente são a chave para alcançarmos o centenário. Pode parecer lugar-comum? Até é, mas a teoria do médico, baseada em muita pesquisa, é corroborada por colegas em todo o mundo e, cá entre nós, derruba aquela incômoda sensação de que tudo acontece à nossa revelia.
“Posso dizer com segurança que daqui a 20 anos os 100 serão os atuais 60. Logicamente, se todo mundo começar a me ouvir agora e seguir meus conselhos”, brincou Ignarro, que está às vésperas de completar 70 anos e exibe uma forma invejável. Ele conversou com WOMEN’S HEALTH quando esteve no Brasil para um seminário promovido pela Herbalife, empresa da qual é membro do conselho científico. Em seu mais recente livro, Health Is Wealth — Ten Power Nutrients That Increase Your Odds of Living to 100 (inédito no Brasil), ele enumera dez nutrientes que considera poderosos para a longevidade. Estão aí, à mão de quem quiser experimentar. Mas o caminho para a vida longa passa também por outros atalhos.
 E a programação genética?
Ok, isso não dá para ser esquecido quando o assunto é envelhecimento. A longevidade, assim como características físicas e predisposição a certas doenças, também depende do genoma de cada indivíduo. Para o professor Sérgio Pena, do Departamento de Bioquímica da Universidade Federal de Minas Gerais e Ph.D. em genética humana pela Universidade de Manitoba, em Winnipeg, no Canadá, é difícil saber exatamente como cada um de nós envelhecerá. Mas há medidas que podem ser tomadas. “Infelizmente, não podemos controlar a nossa própria genética, pois já nascemos com o genoma formado. Mas, por meio da medicina genômica, é possível fazer prevenção de problemas associados ao envelhecimento. Afinal, não nos interessa apenas viver mais; queremos viver mais com boa qualidade de vida”, afirma ele.

Pena diz que, evolucionalmente, o corpo humano não foi programado para viver tantos anos. Então, os danos causados pelo envelhecimento, como Alzheimer e artrite, continuarão ocorrendo com certa frequência. “É aí que entra a correção dos problemas associados à velhice com a chamada medicina regenerativa, que depende da terapia com células-tronco. Por outro lado, a medicina genômica está rapidamente avançando e esperamos uma explosão de conhecimento nos próximos anos. O resultado será uma medicina personalizada, baseada no conhecimento íntimo da constituição genética de cada pessoa”, diz. A nova medicina se tornará então mais e mais preditiva e preventiva. O conhecimento do mapa de predisposições genéticas de cada indivíduo permitirá ajustar seu estilo de vida ao seu genoma e assim prevenir o aparecimento das doenças. Diferentemente da medicina atual, com foco nas doenças e nos doentes, a medicina genômica visa, essencialmente, a manutenção da saúde e a garantia da longevidade.
Envelhecer não é doença
Você já deve ter ouvido seus pais ou qualquer outra pessoa colocarem a culpa de uma dor ou de um problema de saúde na idade. Bem, essa é a primeira mudança. “Precisamos ver a palavra doença com outros olhos”, diz Ignarro. Ideal, ideal mesmo, segundo ele, seria tentar aboli-la do dicionário. “Estamos sofrendo uma lavagem cerebral há anos. Encaramos a doença como uma consequência natural do envelhecimento, e isso é um conceito equivocado. Se eu me cuido, não tenho motivos para ficar doente. Logicamente, ninguém é imortal, nosso corpo não dura para sempre. Um dia todos nós morreremos. Mas podemos morrer depois dos 100 pelas causas naturais do envelhecimento, não de doenças. O que todos têm que entender é que o desgaste natural do organismo não é doença, é envelhecimento. E que é plenamente possível envelhecermos sem adoecermos. Portanto, um dos segredos para viver até os 100 é não esperar ficar doente e torcer para q
Antes tarde do que nunca
Se você passou 30, 40 anos de sua vida comendo junk food e ir do carro ao elevador é o que insiste em chamar de caminhada, não se desespere. Você até mereceria um puxão de orelha, mas fica para outra hora. “Nunca é tarde para começar”, diz Louis Ignarro. Agora que você leu os parágrafos anteriores e percebeu que o estilo de vida é crucial para aumentar as chances de chegar aos 100 anos, comece a ter um dia a dia mais saudável. “Quanto antes, melhor, porque quase tudo é reversível. Se aos 70 você tiver um infarto, passe a praticar atividades físicas e a comer bem que as chances de ter o segundo diminuem drasticamente. Assim como parar de fumar. Se você fuma dos 20 aos 45 anos e para, tem uma chance enorme de não ter um câncer mais tarde”, explica Ignarro.

Então, chega de desculpa esfarrapada, comece hoje a praticar atividades físicas. “Mas tem que ser as aeróbicas, porque exercício bom é o que faz suar”, comenta Ignarro, emendando que o ideal é que sejam pelo menos 30 minutos diários. Essa conta, saiba você, é suficiente para cuidar da saúde. Se quiser ou precisar emagrecer, a carga deverá ser maior: no mínimo três vezes por semana, durante uma hora. Se você acha que aqueles quilinhos a mais não fazem diferença, pode colocar o freio na balança. Não só a obesidade é um fator de risco. Para Ignarro, bastam 5 kg acima do peso ideal para comprometer o projeto centenário.
Muita preguiça? Desculpe, mas isso vale principalmente para as mulheres. “Depois dos 40 ou 50 anos, as taxas hormonais caem muito, deixando-as desprotegidas e abrindo brechas para problemas de diabetes e ataques cardíacos. Há mais mulheres morrendo de infarto entre os 60 e os 70 anos do que homens”, diz o médico.
Prevenir, e não remediar
O negócio já está escrito nas estrelas, quer dizer, a nossa genética já é definida, mas a sorte também desempenha papel fundamental nesse aspecto. Precisamos que ela jogue a nosso favor para que nosso genoma nos faça resistentes a doenças. Entra aqui a frase mágica: prevenção é fundamental, e manter um estilo de vida saudável é tudo o que podemos fazer para aumentarmos a chance de ter uma vida longa. “Hoje, o ambiente é muito mais impactante sobre a saúde do que a própria genética. Cerca de 85% das doenças são fruto da exposição ambiental e do estilo de vida, e, dele, 50% se referem aos hábitos alimentares”, analisa a nutricionista Patricia Davidson Haiat, consultora de WOMEN’S HEALTH.
“Atualmente, o envelhecimento tem sido considerado sinônimo de oxidação, ou seja, um processo que ocorre no organismo devido à produção de espécies reativas ao oxigênio, os radicais livres. Não há como não produzi-los, porque fazem parte do processo respiratório. Portanto, não podemos pensar em não envelhecer, mas, sim, em evitar o envelhecimento precoce”, diz Patricia. E sabe de onde vêm as principais armas contra isso? Dos alimentos, que têm os nutrientes necessários para combater o excesso de radicais livres. Claro, a alimentação equilibrada também previne o sobrepeso e o aparecimento de doenças crônico-degenerativas, como colesterol alto e diabetes, que não só têm impacto sobre a longevidade como influenciam a qualidade dos anos que vêm pela frente.
Você pode ser mais jovem do que pensa
“A maneira de envelhecer não acontece ao acaso”, diz Michael Roizen, autor de A Idade Verdadeira (Ed. Campus, 408 págs., R$ 83). “Os genes que afetam o envelhecimento são governados pelo que comemos, quanto nos exercitamos e até quantos amigos nós temos.” E aqui a parte mais legal: Roizen calculou quantos meses ou anos extras cada comportamento pode acrescentar à sua identidade — e quantos vai diminuir para cada pisada na bola que der. Faça tudo certo e você vai adicionar uns 29 anos à sua expectativa de vida. Você pode fazer o teste todo no site realage.com. Aqui, um exemplo baseado em uma mulher de cerca de 35 anos.
use os remédios façam sua parte. A nossa é usar da medicina preventiva”, afirma.
  Combater a idade
Usar fio dental de quatro a seis vezes por semana+ 3,4 anos
Dormir ao menos 7 horas por noite+ 3,0 anos
Comer peixe ao menos uma vez por semana+ 2,7 anos
Comer no mínimo duas porções de peixe por semana+ 2,5 anos
Ter ao menos dois superamigos+ 2,0 anos
Ter uma vida sexual satisfatória+ 1,5 ano
Tomar café da manhã todos os dias+ 1,1 ano
Consumir 700 mg de ácido fólico por dia+ 1,0 ano
Não engordar mais do que 5 kg+ 1,0 ano
Acelerar o envelhecimento
Ser fumante passivo de 1 a 3 horas por dia - 6,9 anos
Passar por stress como morte ou doença na família, crise financeira- 3,0 anos
Deixar o peso flutuar em 10% ou mais em cinco anos- 2,0 anos
Comer carne vermelha duas ou mais vezes por semana- 1,5 ano
Consumir menos de 280 mg de ácido fólico por dia- 1,2 ano
Sofrer uma insolação antes dos 30 anos- 1,0 ano
Não tomar remédio conforme a recomendação médica- 0,5 ano
Usar celular e dirigir- 0,5 ano
Hora de ir para a cama
Dormir mal de segunda a sexta e descontar no fim de semana não ajuda. A gente sabe que a correria e o stress nos fazem acreditar que insônia é normal, mas não é. Na conta final, a falta de sono regular e de qualidade também acelera o processo de envelhecimento, incluindo aí uma baixa produção de hormônios, como o do crescimento, que é um estimulador de vários processos metabólicos do organismo e essencial para que ele continue jovem e saudável. “O sono é um dos componentes que conseguem mudar a forma com que se comportam nossos genes. Se temos predisposição a doenças, com essas três variáveis sob controle podemos fazer com que elas não apareçam”, diz a nutricionista Patricia Davidson Haiat.
Não limpe o prato
Sim, queremos ficar saudáveis. E os moradores de Okinawa, no Japão, parecem ter descoberto, pelo menos em parte, a fonte da juventude. Eles detêm o título de mais longevos do planeta. A receita: eles comem menos — param de comer quando se sentem 80% saciados; sua dieta altamente rica em fibras é à base de frutas e vegetais frescos, peixe e soja. Nenhuma novidade para você, certo?
Porém, se alguns alimentos ajudam a manter a saúde em dia, outros têm o efeito contrário: contribuem para acelerar o envelhecimento. “Produtos refinados, com alto índice glicêmico, como açúcar, pão e massas feitos com farinha branca, aumentam a taxa de açúcar no sangue e reduzem a flexibilidade da pele”, diz Patricia. As frituras também são nocivas porque o óleo aquecido oxida e favorece o aparecimento dos radicais livres. Álcool em excesso também contribui para a morte celular, principalmente se ingerido com energéticos que possuem cafeína na fórmula.
Em Health Is Wealth, Ignarro diz que, até atingir a maturidade, o corpo humano tem tudo de que precisa para manter o funcionamento máximo de órgãos, nervos, ossos, músculos e das células cerebrais. Dessa maneira, ele até dá conta dos efeitos de um pequeno stress ou de limpar sozinho as toxinas para se defender de agentes externos. Mas, quando o sistema não obtém descanso e combustível suficientes, os mecanismos de autorregulagem são interrompidos, causando a desarmonia. É esse estado de desequilíbrio que os médicos chamam de estar doente. Para evitá-lo e revertê-lo, Ignarro lista seus dez nutrientes poderosos.
receita para viver mais e melhor
Os dez nutrientes poderosos da lista de Louis Ignarro — Nobel de Medicina
1 Ácido alfalipoico
Substância oleosa encontrada em todas as células cuja função é ajudar o corpo a converter a glicose em energia. É um antioxidante potente que neutraliza radicais livres oriundos da oxidação dos alimentos, do stress e da poluição. Ajuda também a baixar as taxas de glicose do sangue, prevenindo o diabetes. Segundo estudo feito pela Universidade de Montreal, no Canadá, o ácido alfalipoico previne o surgimento de hipertensão arterial e hiperglicemia.
Fontes Espinafre, brócolis e ervilha.
2 Aminoácidos
São compostos orgânicos que, basicamente, compõem todas as proteínas. Os principais tipos e seus benefícios:
Arginina Dá suporte ao sistema imunológico e ajuda a reduzir o mau colesterol. Um estudo publicado no Journal of Nutrition revelou que a arginina reduz o ganho de gordura e aumenta o ganho de massa muscular.
Fontes Peixes, amendoim, nozes, frutas de casca rígida e berinjela.

Tirosina Atua no combate ao stress, à insônia e à fadiga. Fontes Leite e derivados, ovos, arroz integral e feijão. Lisina Atua na absorção de cálcio, recuperações cirúrgicas, na produção de hormônios, enzimas e anticorpos.
Fontes Queijos, ovos, peixes e frango.

Carnitina Com a idade, a concentração desse aminoácido diminui no organismo, alterando o metabolismo das gorduras. Os ossos são majoritariamente afetados, fazendo com que a ingestão de carnitina após a menopausa previna a osteoporose nas mulheres.
Fontes Ovos, peixes, carnes e leite.
3 Antioxidantes
Sua principal função é combater os radicais livres. Também são considerados agentes preventivos de câncer, diabetes, disfunções cardiovasculares e Alzheimer. Uma pesquisa da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, descobriu que uma dieta rica em antioxidantes protege as células do dano causado por substâncias químicas durante processos inflamatórios.
Fontes Peixes, soja, aveia, alho, frutas e vegetais coloridos (como uva, maçã, ameixa e cenoura), chocolate amargo e vinho tinto.
4 Picolinato de cromo
Possibilita o melhor funcionamento da insulina. Ajuda na manutenção do peso corporal, no tratamento de depressão e de síndrome metabólica, reduzindo as chances de ataque cardíaco.
Fontes Brócolis, batata, maçã, banana, suco de uva e de laranja.
5 Coenzima Q10
É essencial à produção celular de energia, além de ser um antioxidante poderoso. Tem ação cardio e neuroprotetora. Segundo o professor Anthony Linnane, da Universidade Monach, na Austrália, o consumo da coenzima Q10 por pessoas acima dos 50 anos “pode dar nova energia a tecidos envelhecidos”. O médico Robert Atkins cita um estudo em que 75% de pacientes cardíacos que ingeriram a coenzima tiveram uma melhora na função pulmonar e nos edemas. De acordo com ele, “um dos efeitos mais impressionantes é o poder terapêutico no tratamento de cardiomiopatia”.
Fontes Salmão, sardinha, espinafre, amendoim e carne bovina.
6 Ômega 3
É crucial para a saúde cerebral e cardiovascular. Um estudo da Universidade Harvard, nos EUA, mostra que mais de 84 mil pessoas por ano morrem por deficiência da substância. Tem ação antioxidante, combate inflamações, ataques cardíacos, artrite e osteoporose, além de controlar diabetes e a pressão.
Fontes Salmão, tofu, abóbora, azeite de oliva, linhaça, espinafre.
7 Glucosamina
De todos os nutrientes citados, este é o único que não é encontrado nos alimentos. Portanto, é preciso ser ingerido como suplemento. É usado principalmente no combate e no tratamento de artrite e osteoporose.
8 Chá verde
É considerado um poderoso antioxidante, 100 vezes mais do que as vitaminas C e E. Tem como função a prevenção do câncer e da obesidade, o tratamento e a prevenção de doenças cardiovasculares
9 Romã
Usada no tratamento de diabetes, doenças cardiovasculares e obesidade. Previne a deterioração da cartilagem e o acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos, ajudando a manter as taxas de colesterol em patamares aceitáveis. Um estudo da Associação Americana para Estudos do Câncer indica que pode ser benéfica no tratamento e prevenção de câncer de próstata.
10 Vitamina D
Há uma estimativa de que 1 bilhão de pessoas em todo o mundo tenham deficiência dessa vitamina. Ela é usada na prevenção de câncer, ajuda na formação dos ossos, reduz riscos de doenças cardiovasculares e ataques cardíacos.
Fontes Derivados de leite, ovos, sardinha, atum e frutas como banana.
Quanto antes você mudar o estilo de vida, melhor, porque quase tudo é reversível
Fonte: revista Women'shealth

STRESS PARA O BEM

Quando o stress vem para o bem

O stress, como todo mundo sabe, faz um mal danado. mas em pequenas doses traz benefícios: combate o envelhecimento, ajuda a galgar posições no trabalho e, quem diria, equilibra a vida amorosa. Revelamos como atingir a equação perfeita

Por Carolina Botelho
Engarrafamento, bronca do chefe, desilusão amorosa, semana de prova, rombo na conta. Seu organismo reage com sintomas comuns nessas situações — ansiedade, nervosismo, insônia, ganho de peso, queda na resistência, dores musculares, cefaleia e envelhecimento acelerado. Essas sensações podem ser resumidas numa só palavra: stress, conjunto de reações desenvolvido pelo organismo em momentos que exigem esforço de adaptação. Se o lado negativo do stress você já conhece bem, está na hora de conhecer o positivo. Sim, existe um, que a ajuda a ultrapassar limites, turbinar a carreira e, quem diria, melhorar a vida amorosa. Outro efeito comprovado é o fortalecimento do sistema imune. Num estudo da Universidade de Ohio, nos EUA, camundongos submetidos a um rápido e intenso stress ficaram mais fortes para enfrentar uma gripe. Os pesquisadores associaram o resultado ao ser humano, que, sob efeito semelhante a curto prazo, tem reduzidos os ricos de desenvolver diabetes, doenças do coração, câncer e Alzheimer.

O motivo? Quando seu sangue ferve, o corpo entra em estado de atenção e dispara o sistema imunológico para protegê-la contra infecções. Para combater a produção de radicais livres e de hormônios como o cortisol, que arruínam o corpo, o organismo recruta a equipe de limpeza. “Se o stress é severo ou prolongado, você não consegue se recuperar”, afirma o neurocientista Mark Mattson, do National Institute on Aging, nos EUA. “Mas, se tem vida curta, o sistema imunológico se livra dos sinais e continua tendo energia suficiente para se reerguer todos os dias.” Além de levá-la adiante, o stress de baixa intensidade — como aquele que você sente ao tentar completar uma palavra cruzada de nível avançado ou ao chegar a uma festa na qual só conhece o anfitrião — prolonga a vida e freia o envelhecimento acelerado. “Ao agilizar o processo de recuperação de doenças, por tabela o stress breca o envelhecimento”, diz Edward Masoro, professor do Departamento de Psicologia da Universidade do Texas, nos EUA. Tire bom proveito do seu.

Faça um calendário
Você sabe quando está tensa — mas não exatamente quanto. Para saber qual é a sua linha tênue entre o stress do bem e o do mal, faça um calendário. Diariamente, dê uma nota de 1 a 10 para a potência da sua angústia. Se você marcar cinco ou mais pontos por mais de dois dias seguidos, é hora de tentar algumas das táticas a seguir para se sentir aliviada.

Estimule-se com o novo
Desafios mentais, físicos ou psicológicos geram o bom tipo de stress. Chegou a hora de encarar algo que você sempre quis mas do qual teve medo: escalada, curso de mandarim, voo de asa-delta. Saia da rotina, observe a natureza e dedique-se aos amores da sua vida — família, namorado, amigos, bichos de estimação. “Realize tarefas fora do contexto diário”, sugere Denise Diniz, coordenadora da área de gerenciamento de stress e qualidade de vida da Unifesp. “O jeito mais fácil é recriar sua rotina.” Não se esqueça de periodicamente incluir novos desafios, pois a novidade de ontem pode fazer parte do passado hoje. Cuide da rotina
Em certos momentos da vida, a agenda está tão entupida que não conseguimos deixar tarefas de lado para realizar o sonho de pular de paraquedas. Mesmo no auge da ansiedade, porém, é possível transformar o stress negativo no benéfico. No fim de um dia atribulado, faça um balanço do que você realizou. Assim, seu cérebro recebe a informação de que a vida está sob controle e você restaura o equilíbrio. O segundo ponto é organizar as atividades para o dia seguinte, sem afobação. Use e abuse da tecnologia: smartphone, Outlook e celular — a jurássica agenda de papel também resolve.

Seja perfeccionista
Refazer qualquer coisa é chato, seja uma planilha de Excel, seja o arroz que virou carvão na panela. É tempo perdido e trabalho dobrado pela frente. “Quem quer viver só com o stress bom precisa se concentrar nas atividades para ser o mais assertiva possível e, assim, ter tempo livre para relaxar”, avisa Denise. A ordem aqui é perfeição para ser feliz.

Transpire na academia
Atividades físicas aliviam a ansiedade, como comprovou a pesquisadora Elissa Epel, da Universidade da Califórnia, nos EUA. Segundo Elissa, pouco mais de 40 minutos de exercício de alta intensidade, três ou mais dias da semana, colocam os ânimos em ordem. Aposte na corrida, no treino de bike e na musculação. Mas cuidado com o efeito rebote. “Quando se está trabalhando muito, o stress do trabalho irá se somar ao do treinamento”, afirma o treinador Marcello Butenas, de São Paulo. “E essa combinação pode ser péssima.” Caso a vida esteja muito atribulada, diminua o ritmo dos treinos.

Aposte em ervas
A planta medicinal cava-cava (Piper methysticum), encontrada na Malásia e ilhas da Polinésia, ganhou fama mundo afora como um ansiolítico natural: combate agitação, ansiedade, angústias e estados de tensão. Uma análise de 12 estudos feita entre 1974 e 2005 comprovou a eficácia da planta quando comparada a placebos. Se consumida entre uma e 24 semanas, a cava-cava trata a ansiedade sem efeitos colaterais, afirma a pesquisa, feita pelo grupo inglês Cochrane Depression, Anxiety and Neurosis.

Inclua melão no cardápio
A fruta alivia a ansiedade, segundo uma pesquisa com 70 voluntários realizada pela Universidade Henri Poincaré, na França. A conclusão do estudo indicou que o suplemento derivado da enzima superóxido dismutase, contida no melão, diminuiu os sintomas de nervosismo e fadiga. “Metade das pessoas que ingeriram a substância mostrou sinais de melhora, o que evidencia a ligação entre o stress psicológico e o oxidativo intracelular”, afirma a pesquisadora Marie-Anne Milesi.

Faça algo que sempre quis mas do qual teve medo, como voar de asa-delta

O STRESS do mal
Ele afeta os domínios sociais, físicos e psicológicos. Fique atenta aos sinais

Fisiológicos
Curto prazo: aumento da produção dos hormônios catecolamina e cortisol, que elevam o risco de pressão arterial. Longo prazo: hipertensão arterial, doenças cardíacas, úlceras, asma, gastrite e insônia.

Psicológicos
Curto prazo: ansiedade, tristeza, irritabilidade e insatisfação no trabalho. Longo prazo: transtornos de ansiedade, quadros de depressão e burnout.

Comportamentais
Curto e longo prazos: rupturas de relacionamentos, fobia social, incapacidade de dialogar e escutar, absenteísmo no trabalho e consumo de bebidas.

O STRESS do bem
Em doses moderadas, o stress traz diversos benefícios

Trabalho
Faz com que você utilize suas capacidades no limite, produzindo mais e melhor. Com isso, a possibilidade de promoções sobe bastante.

Esporte
Auxilia no desenvolvimento de aptidões físicas e na promoção do bem-estar

Relacionamento amoroso
Facilita a adaptação do casal e faz com que você vivencie a relação mais naturalmente, aumentando a chance de quesitos como afetividade, sexualidade e companheirismo funcionarem harmoniosamente.

Amizade e relacionamento familiar
Torna as relações mais respeitáveis e faz com que se dê mais valor à amizade
Fonnte Revista Womenshealt.



MÃOS GELADAS, PÉS ÚMIDOS E AXILAS MOLHADAS -HIPERIDROSE






 Contra-gotas

Mãos geladas, pés úmidos e axilas molhadas não acontecem apenas quando você dá de cara com aquele cara gatíssimo e está mais descabelada do que a Amy Winehouse. Esses sintomas podem estar ligados à hiperidrose, doença caracterizada pelo excesso de suor que não cessa, faça chuva ou faça sol.
Para quem transpira demais, atitudes simples, como digitar no teclado do computador, se espreguiçar ou usar uma sandália aberta, tornam-se um verdadeiro martírio físico e psicológico. Suar além da conta é um drama que atinge cerca de 2%da população, mas boa parte dessas pessoas desconhece os métodos existentes para controlar a sudorese ou então não sabe que tem, de fato, alguma doença. Elas costumam creditar a umidade constante em determinada parte do corpo ao fato de serem apenas "calorentas".

Razões para o pinga-pinga
A hiperidrose é uma doença cercada por dúvidas. Não se sabe ao certo por que algumas pessoas transpiram de forma desproporcional, enquanto outras podem ficar dias inteiros sem passar desodorante. O concreto é que a regulação do suor em nosso corpo fica a cargo do sistema nervoso simpático (ligado às funções involuntárias do corpo), responsável também por acelerar os batimentos cardíacos, dilatar a pupila e aumentara pressão sanguínea. Quando a temperatura do corpo sobe — seja por causa de um estímulo nervoso, seja pelo calor ambiente, seja pela prática de exercícios físicos—, as células nervosas se ligam às glândulas sudoríparas espalhadas por todo o organismo e estimulam a transpiração. "Nas pessoas que sofrem de sudorese excessiva, esse processo é contínuo, mesmo após a regulação da temperatura corporal", diz a dermatologista Ada Trindade de Almeida, membro da Sociedade Internacional de Hiperidrose. A hipótese mais aceitável para essa situação de suor sem fim é a de que o cérebro não receba a respostado organismo dizendo ‘Já suei o suficiente’ e continua a estimulara transpiração, porque as pessoas com essa disfunção têm glândulas sudoríparas em quantidade e tamanho absolutamente normais.

Focos do problema
É possível classificar a hiperidrose em dois tipos: a primária, de origem genética, e a secundária, desencadeada por outras patologias, como diabetes, febre, obesidade, hipertireoidismo e depressão."Cerca de 50% dos pacientes que sofrem de hiperidrose primária têm um ou mais parentes de primeiro grau com o mesmo problema",afirma o neurologista João Carlos Limongi, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). As partes do corpo mais afetadas pelo excesso de suor, que pode aparecer de forma localizada ou generalizada, são as axilas, mãos e pés, regiões com maior número de glândulas sudoríparas. Contudo, o suadouro pode acontecer com menor frequência nas costas, barriga, nuca e testa. "A doença costuma surgir nos primeiros anos da idade adulta, quando a pessoa está mais sensível às críticas externas, embora em locais como nuca, tronco e pés ela possa ocorrer já nos primeiros anos de vida", diz o dermatologista Adilson Costa, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e consultor de WH.

Transtorno social
Mesmo sendo uma doença, a hiperidrose não oferece grandes riscos à saúde, exceto por alguns problemas de pele. "O excesso de umidade no couro cabeludo pode desencadear um quadro de dermatite seborreica; já nos pés, de micoses e frieiras", diz o dermatologista Marcelo Bellini, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e consultor de WH.O maior incômodo fica por conta dos transtornos emocionais,causados pela insegurança e ansiedade geradas pelo suor desequilibrado, o que compromete a qualidade de vida. "O contato social e físico fica restrito, pois o portador da hiperidrose perde a naturalidade e a espontaneidade tentando policiar os sintomas durante todo o tempo", afirma a psicóloga Mariana Chalfon, de SãoPaulo. Suar em bicas transforma atos simples em situações de tensão, como apertar a mão de alguém que acabou de conhecer ou abraçar um amigo em uma festa. "Podemos dizer que o problema gera uma retração social porque as pessoas evitam se relacionar com medo de ser julgadas", diz Heloisa Schauff, psicóloga especialista em terapia de casal e família e em estudos do stress.

Controle no prato
Diminua o suor à mesa evitando alimentos que promovem a sudorese, como os muito quente sou condimentados (sobretudo à base de pimenta), bebidas como o álcool, o café e alguns tipos de chá com cafeína (o preto,por exemplo). "Eles aceleram o metabolismo, aumentam a quantidade de sangue na superfície da pele e, em consequência, a transpiração", diz André Pellegrini, nutricionista do Instituto Levitas, em São Paulo. O profissional alerta que os remédios para a perda de peso com efeito termogênico (induzem à queima de gordura) possuem efeito semelhante e podem fazê-la pingar mais do que o normal.Segundo Flávia Morais, nutricionista e coordenadora do Departamento de Nutrição da Rede Mundo Verde,a ingestão de proteínas em excesso também desencadeia esse processo."Tanto a carne suína quanto a bovina, vísceras, leite e derivados contribuem para ativar o sistema nervoso simpático", afirma.

DORES E INDISPOSIÇÕES GINECOLÓGICAS

·        Problemas lá embaixo?
·         Apesar dos incríveis avanços da medicina, muitas mulheres ainda sofrem com dores e indisposições ginecológicas não resolvidas (ou pior: mal diagnosticadas). Aprenda a ajudar seu ginecologista a detectar e a lidar com os males que podem afetar sua saúde.
·          Julia Moióli



Alguns mistérios, como o Triângulo das Bermudas e os ingredientes dos refrigerantes, são divertidos de tentar solucionar. Mas adivinhar por que você está deitada na cama em posição fetal com uma cólica infernal ou por que você precisa trocar seu absorvente de hora em hora não tem a menor graça. Infelizmente, milhões de mulheres (e muitos médicos) ainda são surpreendidos por alguns problemas pélvicos que podem, além de ocasionar dor, ser responsáveis também pela infertilidade.


DE 5 a 10% DAS MULHERES EM IDADE REPRODUTIVA TÊM A SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS

"A história da paciente com síndrome dos ovários policísticos [SOP] é muito característica: ciclos menstruais irregulares, aumento de pelos no rosto e no corpo, acne e ganho de peso", diz a ginecologista Angela Maggio da Fonseca, da Faculdade de Medicina da USP. O diagnóstico parece simples, não? E é! Mas, como cada um desses sintomas pode sinalizar diversos problemas, especialmente durante a adolescência, quando a síndrome dos ovários policísticos — a doença hormonal mais comum em mulheres jovens — costuma dar as caras, muitas não ficam sabendo o que têm nas primeiras consultas. E isso é preocupante porque a SOP — especialmente se não for tratada — aumenta o risco de infertilidade, diabetes tipo dois, síndrome metabólica, doenças cardíacas e câncer de endométrio.

Apesar de a causa principal ser desconhecida, ela acontece quando os ovários produzem uma quantidade alta (e fora do comum) de hormônios masculinos, como a testosterona, que interferem na ovulação e, em muitos casos, na sensibilidade do corpo à insulina. Os cistos se armazenam no ovário quando o folículo ovariano não chega ao ponto de expelir o óvulo. Como a SOP não tem cura, os médicos tratam seus sintomas. Os contraceptivos orais são os principais aliados da mulher. Eles ajudam a suprimir os hormônios masculinos e a normalizar os ciclos. "Muitas mulheres tomam o anticoncepcional por um bom tempo e, depois de estabilizar a síndrome, param. Se houver necessidade, recomeça-se novamente", diz Angela.

Controlar o peso com dieta e exercícios também é fundamental. "As pacientes observam que uma dieta moderada em carboidratos e rica em proteínas magras ajuda a controlar a fome", diz a nutricionista americana Hillary Wright, autora do livro The PCOS Diet Plan (inédito no Brasil). Além disso, perder entre 5 e 10% do peso contribui para normalizar o ciclo menstrual e baixar os níveis de testosterona. Um bom estímulo para manter todos esses fatores em ordem: além de poder controlar a síndrome, é possível pensar em engravidar normalmente.

10% DAS MULHERES EM IDADE REPRODUTIVA SOFREM COM A ENDOMETRIOSE

Não é raro ouvir histórias de mulheres que passaram anos penando com cólicas desde que menstruaram a primeira vez até ouvirem a palavra final do médico: endometriose. "Muitas mulheres suportam a cólica orque acham que é comum,  mas saiba que isso não é normal. A mulher não nasceu para ter cólica", alerta o ginecologista Eduardo Schor, responsável pelo Setor de Dor Pélvica e Endometriose da Unifesp  e secretário geral da Sociedade Brasileira de Endometriose.

Quando uma mulher tem a doença, o endométrio, tecido que reveste o útero e descama todo mês durante a menstruação, pode voltar pelas trompas e cair na pelve, em vez de se manter no lugar correto. Assim, no período menstrual, essas "células perdidas" também sangram, formando lesões e cistos na cavidade pélvica, no intestino e nos ovários, levando a ciclos superdoloridos. Mas essa não é a única possibilidade. "O fato de, em casos raros, o endométrio aparecer em outros lugares além da cavidade abdominal, como no pulmão e no cérebro, indica que pode haver outras explicações", diz a ginecologista Rosa Neme, diretora do Centro de Endometriose, em São Paulo. Por exemplo: o organismo ter mecanismos de defesa alterados, a existência de uma célula que se transforme em endométrio e também uma correlação genética. Atenção se uma mulher da sua família foi diagnosticada: um parente de primeiro grau aumenta sete vezes suas chances de ter o problema.

Outros sintomas da doença são dor profunda após a penetração, inchaço, constipação, diarreia, cansaço constante e sensação de queimação na hora de urinar. Mas vale lembrar que algumas mulheres não têm sintomas. E mesmo essas estão sujeitas à pior consequência, que é a infertilidade — segundo o American College of Obstetricians and Gynecologists, até 38% das mulheres inférteis podem culpar a endometriose. O ideal é diagnosticar o problema o mais cedo possível. Porém, a endometriose não é descoberta em exames de rotina — só aparece em ressonâncias e ultrassonografias em estágio avançado.

Por isso, você não pode deixar de contar ao seu médico tudo o que sente, por mais bobo que possa parecer. "Quando o profissional tem uma grande suspeita, a melhor medida é bloquear o ciclo menstrual", acredita Marco Aurélio Pinho de Oliveira, chefe do serviço de ginecologia e do ambulatório de endometriose do hospital universitário da UERJ. Assim, as células do endométrio espalhadas pela pélvis também param de sangrar. Em casos avançados, a solução é a laparoscopia, cirurgia que retira as lesões. Mas um estudo recente das universidades federais de São Paulo e do Maranhão mostrou que um fitoterápico à base de uma planta conhecida como unha-de-gato conseguiu reduzir em 60% as lesões causadas pela doenças em ratas. Resultado já relatado informalmente por um número grande de mulheres.

20% DAS MULHERES ENTRE 20 E 30 ANOS TÊM FIBROMA UTERINO

O principal sintoma do fibroma uterino (ou mioma, como também é conhecido), o forte inchaço durante o ciclo menstrual, pode dar a você uma barriguinha de grávida sem que você esteja. "Também ocorrem o crescimento uterino com cólicas intensas e o aumento de sangramento durante o ciclo menstrual, levando até a casos de anemia", afirma o ginecologista Nicolau D’Amico, do Hospital Samaritano de São Paulo. Além disso, pode haver pressão constante na bexiga e no reto. Mas, novamente, o curioso é que em algumas mulheres não há sintoma algum.

"Trata-se de uma doença benigna, que acomete o útero e se manifesta pela presença de nódulos musculares. Eles podem se localizar externamente ao útero, dentro da parede ou dentro da cavidade uterina", explica D’Amico. Os médicos não têm certeza sobre o que faz esses nódulos de tamanhos tão variados quanto o de uma uva ou de um melão crescer. Novas pesquisas sugerem que a exposição aos ftalatos, compostos químicos encontrados em plásticos e produtos de cuidados pessoais (maquiagens, xampus, loções etc.) pode ter participação. Como os fibromas se alimentam de estrógeno, eles podem se tornar um incômodo durante a gravidez, quando os níveis de hormônios femininos estão altos. Eles também dividem o espaço com o feto, aumentando o risco de aborto ou nascimento prematuro.

Enquanto os miomas são relativamente simples de diagnosticar — normalmente por meio de um ultrassom ou de uma ressonância magnética —, decidir sobre o tratamento não é tão fácil. Pílulas anticoncepcionais, hormonioterapia, DIU medicado, anti-inflamatórios e análogos de GnRH podem encolher os nódulos, mas a solução definitiva é cirúrgica — não necessariamente a retirada do útero, um passo drástico para mulheres jovens. Já há tratamentos mais atuais e menos severos, como a retirada apenas do mioma (inclusive por laser) ou procedimentos que ajudam a eliminá-los, como a embolização uterina, que corta o fornecimento de sangue para o fibroma. Em fase inicial, também existem dois tratamentos não invasivos: ablação por radiofrequência, que usa a energia do calor para destruir qualquer crescimento sem razão, e ultrassom focalizado guiado por ressonância magnética, que explode os fibromas em pequenos fragmentos. Sim, sempre há luz no fim do túnel. Nossa saúde agradece!
1 - FIBROMA UTERINO

Mais conhecido como mioma, são nódulos musculares benignos que ocorrem na cavidade do útero, em sua porção externa ou em sua parede e causam crescimento uterino, aumento do sangramento durante o ciclo e, eventualmente, cólicas menstruais.

2 - OVÁRIO POLICÍSTICO

Na síndrome dos ovários policísticos, um desequilíbrio hormonal interfere na ovulação, aumenta as concentrações de produção de hormônio masculino (testosterona) e leva à formação de pequenos cistos na superfície dos ovários.

3 - ENDOMETRIOSE

É a presença do endométrio (tecido localizado habitualmente dentro do útero) em um local atípico. Pode ser nos ovários, no peritônio (tecido que envolve os órgãos abdominais, bexiga ou intestino). Como durante o período menstrual essas células de endométrio inflamam, elas causam dor na menstruação, eventualmente infertilidade e dores específicas na bexiga ou intestino quando acometem esses órgãos

CONHEÇA OUTROS PROBLEMAS GINECOLÓGICOS QUE PODEM TRAZER DOR E DESCONFORTO
Doença inflamatória pélvica

Uma infecção bacteriana que acontece no útero, nas trompas e em outros órgãos reprodutivos. "Ela é originada, na maioria dos casos, por bactérias que ascendem pela vagina, portanto é considerada sexualmente transmissível", alerta o ginecologista Nicolau D’Amico. Causa infertilidade em uma a cada cinco mulheres com o problema.
Sintomas: dor pélvica ou abdominal crônica, náusea, febre alta, vômitos e secreção vaginal malcheirosa.
Tratamentos: antibióticos para atacar as bactérias e analgésicos para a dor, que impede muitas mulheres de realizar até mesmo suas atividades rotineiras.

Vulvodinea

Também chamada de síndrome vestibular. O principal sintoma é dor crônica genital, que pode estar relacionada a traumatismos locais, medicamentos ou produtos de uso crônico, cirurgias anteriores, infecções urogenitais, processos depressivos, dificuldade na relação que leva a espasmos musculares, diabetes e climatério, conforme enumera D’Amico.
Sintomas: desde uma coceira local, com irritação ou ardor, até um processo doloroso constante.
Tratamentos: depende da causa diagnosticada. Em geral, envolve anti-inflamatórios, anestésicos locais e até fisioterapia pélvica.
fonte de pesquisa: www.womenshealth.com.br

LOUCA OBSESSÃO



Louca obsessão
Quatro horas de musculação por dia, cardápio composto exclusivamente de alimentos crus, nenhum corante ou conservante no prato. Até onde você está disposta a ir para ser saudável?
Por Juliana Diniz // Fotos Chayo Mata
Todo mundo teme a queda da bolsa, da vitalidade e do bumbum. Mas, mais do que uma crise global, temos pesadelos com a derrocada nos dois últimos campos. Na pesquisa Global Nielsen sobre a Confi ança do Consumidor, realizada mundialmente e divulgada em julho, 16% dos brasileiros disseram que sua principal preocupação nos próximos seis meses é a saúde — o índice mais alto na América Latina. Também pudera: somos culturalmente pressionados para viver mais e melhor. “Temos que nos manter belos, jovens e efi cientes”, afi rma a psicanalista Dirce de Sá Freire, coordenadora do curso de transtornos alimentares da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). “Mas o corpo dá sinais de que não é fácil se sustentar sobre esse tripé.”

Em busca da longevidade, estamos nos tornando neuróticas com a alimentação e exagerando nas atividades físicas. Essas atitudes podem esconder uma obsessão pela saúde e — ironia do destino — em pouco tempo devem ser ofi cialmente consideradas doenças: uma nova leva de transtornos alimentares e de imagem corporal, em que se destacam a ortorexia e a vigorexia. Veja se você está se tornando verde demais — ou porque só come plantas ou porque é forte candidata a namorada do Hulk.

ORTOREXIA:   O que é Tente se lembrar de tudo o que você comeu hoje no almoço. Tarefa fácil. Agora pense na quantidade de calorias, gorduras saturadas e insaturadas, vitaminas e minerais ingeridos. Certifi que-se de que tudo tenha sido preparado de acordo com as mais rígidas normas de higiene, com alimentos orgânicos e embalagem reciclável. Parece complexo? É assim que funciona a mente de uma ortoréxica. A palavra tem origem no grego: “orthos”, de correto, e “orexis”, que se refere à fome. O quadro clínico surge de uma distorção da ideia de que a comida natural é a melhor forma de alimentação. Enquanto uma pessoa anoréxica está preocupada com as calorias dos alimentos, a ortoréxica se atém à qualidade do que coloca no prato. Só leva para casa produtos que considere 100% saudáveis, mesmo que o julgamento não tenha nenhum embasamento científi co. Na maioria das vezes, elenca uma lista de vilões, excluindo da dieta, por exemplo, a carne vermelha, o leite, comidas ricas em açúcar e gordura e produtos cultivados com agrotóxico, industrializados ou de procedência desconhecida. Assim, passa a seguir um regime alimentar extremamente rígido", diz Dirce. Quando não consegue controlar o que come, a ortoréxica se sente culpada e impura.

Pesquisadores da Universidade La Sapienza, na Itália, avaliaram os hábitos alimentares de 404 voluntários e descobriram que 28 deles sofriam de ortorexia. Além de terem personalidade obsessiva- compulsiva, os participantes descreviam como “perigosos” os alimentos que continham conservantes e como “artifi ciais” os industrializados.

Quais são os sinais A ortorexia não aparece do dia para a noite. Segundo um artigo do serviço de psiquiatria do Hospital de Mósteles, na Espanha, no início os pacientes com o transtorno apenas querem aprimorar sua saúde, tratar uma doença ou perder peso. Até que a dieta se torna o centro de sua vida. Além disso, a ortoréxica costuma ter certas manias. “Determina horários impreteríveis para as refeições e associa uma hora do dia com um alimento. Por exemplo, no café da manhã come sempre linhaça”, diz o psicanalista Raphael Boechat, da Universidade de Brasília (UnB).

Por que faz mal Como as ortoréxicas repetem o mesmo cardápio, podem desenvolver defi ciências nutricionais importantes. A carência de ferro e cálcio favorece a anemia e a osteoporose. “A falta de nutrientes induz ainda a um quadro de stress oxidativo, que danifi ca as células”, diz o nutricionista esportivo Luis Meirelles, de São Paulo.

Como a ortoréxica só come o que ela mesma prepara ou cujo processo acompanha, deixa de sair para jantar com os amigos e se isola para evitar o consumo de alimentos ditos nocivos.

Da mesma forma que endemonizam alguns produtos, as ortoréxicas criam suas próprias regras para tachar outros como saudáveis. Acreditam que há mais diferenças entre um produto e outro do que de fato existem. Não há um consenso entre os especialistas se, por exemplo, os alimentos orgânicos, os prediletos dessa galera, são mais nutritivos do que os tradicionais. É claro que há outros motivos para você preferir os orgânicos — como o cultivo sem aditivos químicos —, mas nada que justifi que recusar uma pizza por não conhecer a procedência do tomate.

O que fazer Comer de forma saudável não faz mal a ninguém. Só não vale transformar a refeição em tabelas nutricionais e recusar prazeres. Se a sua preocupação com os alimentos estiver atrapalhando a sua vida, busque ajuda. A ortorexia precisa de tratamento médico. Se o comportamento obsessivo tiver traços de depressão, normalmente se faz uso de medicamentos antidepressivos. “Eles aumentam a disponibilidade de serotonina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar, em regiões cerebrais que estão relacionadas com as crenças obsessivas e inadequadas sobre alimentação e imagem corporal”, explica o psiquiatra Alexandre Pinto de Azevedo, do Ambulatório de Transtornos Alimentares do Hospital das Clínicas de São Paulo.
Quatro horas de musculação por dia, cardápio composto exclusivamente de alimentos crus, nenhum corante ou conservante no prato. Até onde você está disposta a ir para ser saudável?
Por Juliana Diniz // Fotos Chayo Mata
VIGOREXIA :   O  que é A preocupação exacerbada em ter um corpo ideal, que leva à dependência da prática esportiva. É uma síndrome psiquiátrica em que a pessoa se enxerga menor do que realmente é. A vigoréxica está sempre insatisfeita com seus músculos e busca obsessivamente a perfeição. Quando se olha no espelho, vê uma mulher magra e fraca onde está um corpo construído por horas e horas de musculação. E aí todo dia ela faz tudo sempre igual: se sacode às 6 horas da manhã e corre para a academia.

Quais são os sinais A vigorexia é mais frequente em homens, porém está se tornando cada vez mais comum em mulheres — e não é coisa só de atletas profi ssionais. Estima-se que 10% dos praticantes de musculação apresentem o distúrbio. As vigoréxicas não costumam se achar doentes porque, afi nal, se preocupam em ter um corpo cada vez mais saudável. O problema é que, para atingi-lo, adotam uma carga pesada de treinos contínuos, com expectativa de superar progressivamente o peso que carregam nos exercícios e, mesmo assim, jamais se sentem plenamente satisfeitas. Se alguém lhe diz que está magra, ela malha quatro horas seguidas. “O culto à imagem adquire o caráter de fanatismo. É um narcisismo exacerbado”, afi rma Dirce.

As mulheres vigoréxicas sentem orgulho por serem capazes de se exercitar mais do que as outras. Elas possuem consciência de que atuam no excesso, mas não pensam nas consequências negativas disso. Tratam a fi ta métrica como fi el companheira na checagem diária das medidas de braços, pernas, coxas, peitoral... Quando são obrigadas a faltar a um treino por causa do trabalho ou da consulta no dentista, a culpa é tão grande que elas fi cam mal e até caem no choro. “São tão obcecadas pela ginástica que deixam de sair à noite para não comprometer o rendimento no treino do dia seguinte”, diz Boechat. Preocupadas com força, potência e efi ciência, acabam adquirindo corpos masculinizados.

Por que faz mal Em primeiro lugar, porque vicia. “O excesso de exercícios físicos eleva as endorfi nas, substâncias responsáveis pela sensação de bem-estar, que provocam dependência emocional e química ao exercício”, diz a médica do esporte Ana Lúcia de Sá Pinto, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP).

A adição pela atividade física leva a vigoréxica a aumentar constantemente o volume e a intensidade dos exercícios sem tempo de descanso para que os músculos se recomponham. Segundo um levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) realizado com 413 frequentadores de 17 academias, a média de tempo passado nas academias da capital paulista é de 11 horas por semana, quatro a mais do que o período máximo recomendado pelo Colégio Americano de Medicina Esportiva. O resultado do excesso são as lesões.

A vigorexia pode aumentar o stress, levar a aumento da pressão arterial e arritmia, diminuição excessiva do percentual de gordura e bloqueio da menstruação. “Como consequência dessa alteração do ciclo menstrual, há diminuição de massa óssea (osteopenia) ou até mesmo osteoporose, favorecendo fraturas por stress”, diz Ana Lúcia.

Na ânsia de conseguir o aumento muscular mais rapidamente, as vigoréxicas aumentam a ingestão de carboidratos e de proteínas em quantidades acima das recomendadas, abusam de suplementos proteicos e estimuladores da hipertrofi a muscular. Algumas vão ainda mais longe: apelam para anabolizantes, que alteram a orquestração dos hormônios do corpo. Na mulher, isso causa hipertrofi a do clitóris e das cordas vocais, gerando aumento perceptível do timbre da voz”, afi rma Meirelles. Além disso, o uso de esteroides pode causar lesões no fígado e parada cardíaca.

O que fazer De forma geral, é preciso recorrer à psicoterapia para reavaliar a percepção de sua imagem corporal e, em alguns casos, é necessário fazer uso de medicamentos para controlar a ansiedade e o comportamento depressivo. “Nesses casos, a autoestima está tão comprometida que o indivíduo tenta consertá-la por meio de mudanças na aparência, mas não para se aproximar da ideia comum de belo, e sim do que ele próprio colocou como meta para sentir-se bem”, afi rma Azevedo. Ou seja, em primeiro lugar você precisa saber por que está treinando e quanto o exercício melhora ou prejudica a sua vida. Você pode continuar sonhando com uma barriga sarada, mas sem extrapolar os limites do bom senso e sacrifi car a sua saúde por ela.