23 de mar de 2009

COMPORTAMENTO - RELACIONAMENTO AMOROSO


Complexo de Cinderela
Francisco Antônio Pereira Fialho
Psicólogo. Doutor em Engenharia do Conhecimento. Professor do Curso do PPGEP da UFSC.
Cinderela busca o amor e esse fato é, ao mesmo tempo, sua força e sua fraqueza. A busca pelo outro é, de alguma forma, uma busca por si mesma.
ietzsche afirma que o sentimento de amor pelo outro e o espírito altruísta são expressões de fraqueza e negação do eu e que nosso desejo de um amigo, numa outra pessoa, é nosso acusador. Freud diz que: "Se amo uma pessoa, ela tem de merecer meu amor de alguma maneira. (...) Ela merecerá meu amor, se for de tal forma semelhante a mim, em aspectos importantes, que eu me possa amar nela; merecê-lo-á também, se for de tal modo mais perfeita do que eu, que nela eu possa amar meu ideal de meu próprio eu (self)" (Freud, 1976, p. 130-131).
A história de Cinderela é velha, pelo menos até onde o tema principal da lenda vai: a procura da mulher amada e sua identificação devida à particular natureza de seu calçado. Um mito chinês datado de 9 a.C. estabeleceu a fundação da história. Depois tivemos um escritor Romano do séc. III e um escocês anônimo do séc. XVI, com uma narrativa já quase exatamente igual à atual.

A primeira versão em que a fada madrinha ganha o papel que lhe conhecemos hoje teve de esperar por Charles Perrault, em 1697, e foi só com os irmãos Grimm, em 1812, que a família adotiva da heroína recebeu esse aspecto ao mesmo tempo negro e cômico.
Hermes, o mensageiro de sandálias aladas, tinha como atribuição transmitir, interpretar e explicar os desejos divinos, aos deuses entre si e aos homens. Era o mediador entre o mundo dos deuses e o mundo dos homens.
Daí se origina a palavra hermenêutica. Vem do verbo hermeneuein (interpretar) e do substantivo hermeneia (interpretação). Heidegger e Ricoeur elevaram a hermenêutica ao status de ciência. A psicologia profunda de Jung é um estilo de hermenêutica. Ela propõe conhecer o homem através dos símbolos, da exegese dos símbolos do inconsciente, principalmente os da psique objetiva.
O tema de Cinderela é uma viagem de iniciação que conduz ao estado de adulto e de maturidade. De acordo com a época, o país e o autor, os contornos da história variam tal como os cenários – mas o progresso da adolescência à maturidade mantém-se a preocupação central. Em Cinderela é a fada-madrinha quem, tal como em A Bela Adormecida, fornece o toque mágico necessário para cumprir um destino que também envolve a descoberta do amor e os trâmites que daí vêm e advêm.
Os contos de fadas, contados e recontados através das eras, escondem arquétipos que, ao serem revelados, desnudam a alma do mundo.
Os personagens não estão lá simplesmente para mostrar a personagem central. O príncipe, partindo das cortes, tentando encontrar um verdadeiro significado para sua vida; as irmãs e a madrasta, tentando tornar-se num ideal de beleza; o pai, deprimido; todas estas figuras são indispensáveis à emergência de Cinderela.
Como sempre acontece nos contos de fadas, as personagens possuem uma realidade emblemática e simbólica; o príncipe que está aborrecido,

Cinderela, que é quem espera; a fada representa o amor e o dom da vida; o pai que é perseguido por sua consciência, as irmãs e sua mãe que olham para os outros pela imagem de suas identidades. Estas personagens são definidas, não tanto por sua individualidade, como pelo espaço mitológico que habitam.
A hermenêutica é o processo de decifrar, de penetrar no âmago de um objeto e transcender o momento histórico da criação e da interpretação.
"As ciências da natureza têm métodos para compreender os objetos naturais, as ‘obras’ precisam de uma hermenêutica, de uma ‘ciência’ da compreensão adequada a obras enquanto obras" (Palmer, 1997,19).
Cinderela busca o amor e esse fato é, ao mesmo tempo, sua força e sua fraqueza. A busca pelo outro é, de certa forma, uma busca por si mesma, e essa busca por si mesma é, em resumo, uma busca pela Sabedoria. A busca do eu só se realiza pela negação do eu. Só negando o eu é que nos arriscamos a penetrar a floresta do inconsciente para tentar encontrar, além do mistério, o self real.
Um conto de fadas, para os que conhecem certas chaves da cultura universal, é algo assim como um manual, um esquema criado para ajudar na recordação tanto daquelas chaves culturais como também das possíveis aplicações que admite. O mesmo conto é contado e recontado e as mudanças nos permitem ler a alma das diferentes culturas.
A história de Cinderela, para nós psicólogos, é a história da busca da Sabedoria. A Sabedoria é inexistente para quem não experimentou uma mínima parte sua; não força ninguém, mas também não se entrega fácil. Mesmo crendo tê-la encontrado, é possível estar enganado. É disto que trata a história.

Os Mitos Femininos
Cinderela é uma mulher, cercada de mulheres. As fadas são mulheres. Esses contos nos remetem a épocas muito antigas, em que a Deusa Mãe ainda passeava pelo planeta Terra e a mulher, portadora da vida, detinha as chaves para todos os mistérios.
Com a descoberta assombrosa de que os homens tinham algo a ver com a continuidade da espécie humana, pouco a pouco, as sociedades matriarcais foram cedendo espaço a outras formas de ser em grupo.
Zaratustra dizia que a mulher "deve adorar ao homem como à divindade. Nove vezes pela manhã, de pé ante o marido, com os braços cruzados, deve perguntar-lhe: Que desejais, meu senhor, que faça?" (Zaratustra apud Loi, 1988, p. 9).
Buda, o Iluminado, fundador do budismo, dizia que: "A mulher é má. Cada vez que se lhe apresente oportunidade, toda mulher pecará" (Buda apud Loi, 1988, p. 9).
Martinho Lutero (1483-1546), responsável pela Reforma Protestante, dizia que: "Não há manto nem saia que pior assente à mulher ou donzela que o querer ser sábia" (Lutero apud LOI, 1988, p. 26).
O Imperador Napoleão Bonaparte dizia que "as mulheres nada mais são do que máquinas de fazer filhos" (apud Loi, 1988, p. 35).
Os mitos são, ao mesmo tempo, criados pelas próprias culturas e criadores destas, seguindo padrões, não de uma evolução cartesiana do pensamento humano, mas de uma deriva natural ao fluxo das adaptações necessárias.
Lacan (1995) afirma que a verdade tem uma estrutura de ficção. É na ficção que existe a possibilidade de se esbarrar na verdade, e esta só pode ser

enunciada através da mentira, ou de uma articulação mítica. A narrativa de ficção alude à verdade do sujeito, ainda que este não tenha consciência disso.
A realidade está sempre perpassada pelo imaginário, como apontou Lacan (1985): "... a pouca realidade (...) faz com que tudo o que nos é permitido abordar de realidade reste enraizado na fantasia" (p. 127). O objetivo não é buscar discriminar a realidade da fantasia, mas perceber que, de uma maneira ou de outra, a subjetividade sempre vem à tona. Assim, a interpretação é um deciframento do inconsciente e não um esforço exaustivo de ancoramento com a realidade.
O psiquiatra Isaac Charam assim descreve a carta de Freud a Fliess, reconhecendo a importância dos mitos:
"(...) é possível que os mitos sejam vestígios distorcidos das fantasias dos desejos de povos inteiros. Os mitos expressam fantasias universais, surgidas nas origens da humanidade, que aparecem no inconsciente de todo ser humano. As manifestações mais diretas do inconsciente são os mitos, em nível dos povos, e os sonhos, em nível do indivíduo" (Charam, 1992, p. 23).
"Na primeira etapa, o mundo é criado por uma deusa mãe sem auxílio de ninguém. Na segunda, ele é criado por um deus andrógino ou um casal criador. Na terceira, um deus macho ou toma o poder da deusa ou cria o mundo sobre o corpo da deusa primordial. Finalmente, na quarta etapa, um deus macho cria o mundo sozinho" (Muraro, 1991, p. 8).
Simone de Beauvoir analisa esta transposição mítica do feminino para o masculino, lembrando-nos das divindades femininas, da Grande Deusa, da Grande Mãe, que "reina sobre toda a Egeida, a Frígia, a Síria, a Anatólia e sobre toda a Ásia Ocidental" (Beauvoir, 1961, p. 90).
Os símbolos carregam em si muito mais do que o aparente. Jung resgata o valor do símbolo, encara-o como o caminho para o sagrado, para os deuses interiores.
O Complexo de Cinderela
Complexo de Cinderela, best-seller publicado em 1981 por Colette Dowling, descreve um modelo de mulher que prefere acomodar-se em um casamento (inutilizando seu potencial criativo e intelectual).
Confesso que quando vi o livro de Colette pela primeira vez, pensei: "Aí vai mais um desses pacotes feitos por americanos para americanos". Se a leitura que Colette faz do mito de Cinderela é ingênua e perde toda a riqueza que se poderia extrair dele, por outro lado, é útil, na medida que, esta mesma simplicidade torna mais simples a compreensão, pelos leitores do livro, das idéias aí expressas. Temos não uma hermenêutica, mas o uso inteligente de uma metáfora.
O ponto de vista da autora, em resumo, é o seguinte: "As mulheres são educadas para se sentirem sempre parte de uma outra pessoa e, quando têm chance de se libertarem, assustam-se e rejeitam a oportunidade". A autora acredita que a educação que recebeu – e que as mulheres recebem – é no sentido de manutenção de uma mentalidade de eterna dependência.
A Cinderela de Colette é uma mulher passiva e medrosa, à espera de algum milagre que venha modificar sua vida. Não pensa em suas responsabilidades, buscando alguém que se disponha a sustentá-la e a protegê-la material e moralmente.
Para comprovar as teses defendidas pela autora temos que, ainda hoje, as pesquisas revelam que entre esses dois estereótipos, o do "macho provedor" e o do "garanhão italiano", as Cinderelas preferem (para casar) o primeiro.
Cinderela é o símbolo dessa dependência, do viver à espera de que alguém (um homem) apareça e resolva os problemas. Alguém que mantenha essa dependência e não que a liberte dela.

Vicente Cassepp Borges, da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, São Leopoldo, realizou uma pesquisa cujo objetivo foi verificar se, após 21 anos, com um predomínio de relações afetivo-amorosas rápidas e frias ("ficar"), ainda poderemos verificar, nas adolescentes de hoje, características que permitam a comparação feita por Colette com a personagem Cinderela.
A amostra foi composta por 200 adolescentes de ambos os sexos (96 meninos e 104 meninas), estudantes do segundo e do terceiro ano do ensino médio de uma escola de classe média alta de Porto Alegre, com uma média entre 15 e 16 anos.
Segundo Colete Dowling, a sexualidade da mulher é tão castrada que ela precisa da desculpa do amor para sentir prazer com o outro. Não basta, portanto, para a mulher, o simples desejo. O prazer da mulher está intimamente relacionado a um sentimento inexplicável como o amor.
De fato, os dados indicaram uma diferença significativa entre os sexos na questão do amor à primeira vista, sendo que as mulheres acreditam muito mais nesta forma de se conhecer. Apesar do número elevado de respostas neutras, os adolescentes de ambos os sexos acreditam no estereótipo de que o homem sinta mais a sexualidade enquanto apontam que a mulher sinta mais o amor.
Segundo a autora, o comportamento de dependência acaba resultando em decepções e frustrações quando um namorado, noivo ou marido não atende às expectativas e ansiedades.
Confirmando as previsões do livro, com relação às iniciativas nos relacionamentos, o estudo mostrou que as mulheres estão mais acomodadas do que os homens, preferindo que eles tomem a iniciativa, enquanto os homens acreditam mais na igualdade.
A pesquisa de Vicente concluiu, ainda, que este modelo de mulher passiva e sonhadora ainda pode se encaixar com as adolescentes de hoje em certos aspectos, mas não em outros, não se podendo, portanto, aplicar o estereótipo de

Cinderela às adolescentes. Apesar disso, se quisermos dar este apelido a algum gênero, ainda seria o gênero feminino.
"A tese deste livro é a de que a dependência psicológica – o desejo inconsciente dos cuidados de outrem – é a força motriz que ainda mantém as mulheres agrilhoadas. Denominei-a ‘Complexo de Cinderela’: uma rede de atitudes e temores profundamente reprimidos que retém as mulheres numa espécie de penumbra e impede-as de utilizarem plenamente seus intelectos e criatividade. Como Cinderela, as mulheres de hoje ainda esperam por algo externo que venha transformar suas vidas."
É quase impossível que, ao longo de uma vida, um casal não enfrente problemas financeiros. Enquanto Cinderela se sente traída e culpa o companheiro, este a culpa pela falta de companheirismo exatamente no momento que mais necessitava de apoio para elevar uma auto-estima comprometida. As decepções e frustrações são mútuas.
O mito é da ordem do vivido. E o vivido é real. Rubem Alves assim o expressa: "Não estamos sozinhos. Meu destino não é só meu. Meus risos e dores não são confissões solitárias, mas parte de uma tapeçaria que se chama humanidade. Sou Adão e sou Eva, Caim e Abel, Laio, Jocasta e Édipo, Ulisses e Telêmaco... Não, o mito não diz como as coisas se deram. O que ele faz é reconstruir a beleza trágica e comovente do destino humano que todos participamos" (Alves, 1988, 20).
Minha infância foi povoada de princesas, príncipes encantados, bruxas e fadas madrinhas. Era só cheirar o pó de pirlimpimpim e pronto, saía em viagem à Lua ou, junto com o Hércules Lelé, percorria o Olimpo dos Deuses ou a Atenas de Péricles. Fui, também, o Saci, a Cuca, Pedrinho, Narizinho, a Emília e o Visconde.
Vamos ter de ir além da analogia e buscar na hermenêutica as chaves não apenas para reconstruir, mas, acima de tudo, apontar caminhos para

transformações, trocar arquétipos como quem troca de vestido para sair num dia de domingo.
Além do Mito de Cinderela
A procura do amor primeiro está no cerne dos desejos e ações de Cinderela. Ela só terá sucesso na busca se seguir mantendo-se fiel a si própria e recusando o uso de máscaras. A fada relembra-a disso quando Cinderela aparenta começar a adquirir gosto pela vida na corte e seus artifícios. As doze badaladas do relógio, marcando a meia-noite, são um aviso à jovem, para que não perca seu verdadeiro Eu.
O caminho de Cinderela, rumo à autodescoberta, é ansioso e lento, conduzido no escuro pela figura fluida e cintilante de sua fada madrinha, a Sabedoria da Psique. Através da mãe (da Psique), ela foge das trevas, rumo à terra prometida, encontrando seu caminho até ao príncipe.
Cinderela, finalmente, encontra a beleza de sua alma, tornada visível por sua figura e por suas roupas, mas só o príncipe encantado será capaz de reconhecer esta beleza especial quando ela se encontra vestida com suas roupas pobres.
O sapatinho de cristal é um sinal concreto de um ser único e inicia o encontro dos amantes, libertando Cinderela de suas prisões familiar e social, permitindo-lhe ser reconhecida por seu verdadeiro valor como mulher em vez de ser vista como uma adolescente dependente.
O pé representa o reconhecimento a que Cinderela aspira, a revelação das mentiras das irmãs. São as pegadas desse pé que levam o príncipe a viajar, a partir de seu mundo fechado, em busca de outros lugares, outras verdades. Finalmente, é a forma desse pé que o príncipe, de joelhos – pela primeira vez, ao

contrário de todas as regras de etiqueta, "aos pés" de outrem – reconhece sua verdadeira essência.
Conclusão
Lembro Peter Pan, o menino que não queria crescer. Todo mito nos remete a reflexões sobre a natureza humana. O Complexo de Peter Pan refere-se ao arquétipo do eterno menino. Tem gente (como eu, confesso) que deseja manter-se sempre jovem e, por essa razão, se descuida das responsabilidades de virar um adulto, deixando de assumi-las.
Herói em grego significa basicamente "o que nasceu para servir". O herói como arquétipo, estrutura potencial do inconsciente coletivo, emerge quando um homem ou mulher consegue vencer suas limitações pessoais. O herói é assim representante das forças psíquicas que desafiam a estagnação e acessa núcleos vitais de individuação em nossos inconscientes. Para o mal ou para o bem os heróis são emissários do novo.
Em Cinderela vemos desde a princesa Diana, a não-guerreira que tinha tudo para ser apenas um mito de Cinderela fabricado, a menina pobre e oprimida que casa com o príncipe poderoso, até Hilda Furacão que, com seu chinelo, vai desafiar o todo-poderoso Deus, representado por belíssimo frade.
Referências bibliográficas:
BEAUVOIR, Simone de. O segundo sexo: fatos e mitos. São Paulo: DIFEL, 1961. 309 p.
CASSEPP BORGES, V. A existência do modelo de COMPLEXO DE CINDERELA em adolescentes do sexo feminino na atualidade – www.viciencia.hpg.com.br/carreira/43/index_int_3.html, acessado em 26/02/2004
CHARAM, Isaac. O estupro na psicopatologia e na Bíblia. Revista Saúde, Sexo & Educação, Rio de Janeiro, v. I, n. 1, p. 19-24, jun. 1992.

FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. Rio de Janeiro: Imago, Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Vol. XXI, p. 75-171, 1976.
HEIDEGGER. Os Pensadores. São Paulo: Editora Nova Cultural Ltda., 1996.
JUNG, Carl Gustav. CW 5 – Símbolos da Transformação. Petrópolis: Vozes.
_____ . CW 12 – Psicologia e Alquimia. Petrópolis: Vozes, 1991.
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_____ . CW 9/2 – Aion – Estudos sobre o Simbolismo do Si-Mesmo. Petrópolis: Vozes, 1988.
LACAN, J. (1995). O seminário: Livro 4: A relação de objeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar.
MURARO, Rose Marie. Breve Introdução Histórica [a obra O Martelo da Feiticeiras]. In: KRAMER, Heinrich, SPRENGER, James. O martelo das feiticeiras. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1991.
NIETZSCHE, Friedrich Wilhelm. Os Pensadores Obras Incompletas. Seleção de Textos de Lebrun, G. São Paulo: Editora Nova Cultural Ltda., 1996.
PALMER, Richard E. Hermenêutica. Edições 70. Lisboa: 1997.
RICOEUR. Os Pensadores. São Paulo: Editora Nova Cultural Ltda., 1996.
fONTE: Revista Psicologia Brasil

NORMAS ORTOGRÁFICAS


O que muda com o acordo ortográfico?
Fonte: professor Sérgio Nogueira www.g1.globo.com
Alfabeto - ganha três letras
Antes
23 letras 26 letras: entram k, w e y
Depois
Trema - desaparece em todas as palavras
Antes
Freqüente, lingüiça, agüentar
* Fica o acento em nomes como Müller
Frequente, linguiça, aguentar
Depois
Acentuação 2 - some o acento no i e no u fortes depois de ditongos (junção de duas vogais), em palavras paroxítonas
Antes
Baiúca, bocaiúva, feiúra
* Se o i e o u estiverem na última sílaba, o acento continua como em: tuiuiú ou Piauí
Baiuca, bocaiuva, feiura
Depois
Observação: as demais regras de acentuação permanecem as mesmas
Acentuação 5 - some o acento agudo no u forte nos grupos gue, gui, que, qui, de verbos como averiguar, apaziguar,
arguir, redarguir, enxaguar
Antes
Averigúe, apazigúe, ele argúi, enxagúe você Averigue, apazigue, ele argui, enxague você
Depois
Acentuação 4 - some o acento diferencial
Antes
Pára, péla, pêlo, pólo, pêra, côa
* Não some o acento diferencial em pôr (verbo) / por (preposição) e pôde (pretérito) / pode (presente). Fôrma, para diferenciar de forma, pode receber
acento circunflexo
Para, pela, pelo, polo, pera, coa
Depois
Acentuação 1 - some o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (as que têm a penúltima
sílaba mais forte)
Antes
Européia, idéia, heróico, apóio, bóia, asteróide, Coréia,
estréia, jóia, platéia, paranóia, jibóia, assembléia
* Herói, papéis, troféu mantêm o acento (porque têm a última sílaba mais forte)
Europeia, ideia, heroico, apoio, boia, asteroide, Coreia,
estreia, joia, plateia, paranoia, jiboia, assembleia
Depois
Hífen - veja como ficam as principais regras do hífen com prefixos:
Prefixos
Agro, ante, anti, arqui, auto,
contra, extra, infra, intra, macro,
mega, micro, maxi, mini, semi,
sobre, supra, tele, ultra...
Quando a palavra seguinte começa
com h ou com vogal igual à última
do prefixo: auto-hipnose, auto-observação,
anti-herói, anti-imperalista,
micro-ondas, mini-hotel
Em todos os demais casos:
autorretrato, autossustentável, autoanálise,
autocontrole, antirracista, antissocial,
antivírus, minidicionário, minissaia,
minirreforma, ultrassom
Hiper, inter, super Quando a palavra seguinte
começa com h ou com r:
super-homem, inter-regional
Em todos os demais casos:
hiperinflação, supersônico
Sub Quando a palavra seguinte
começa com b, h ou r:
sub-base, sub-reino, sub-humano
Em todos os demais casos:
subsecretário, subeditor
Vice Sempre: vice-rei, vice-presidente
Em todos os demais casos:
pansexual, circuncisão
Pan, circum Quando a palavra seguinte
começa com h, m, n ou vogais:
pan-americano, circum-hospitalar
Usa hífen Não usa hífen
Acentuação 3 - some o acento circunflexo das palavras terminadas em êem e ôo (ou ôos)
Antes
Crêem, dêem, lêem, vêem, prevêem, vôo, enjôos Creem, deem, leem, veem, preveem, voo, enjoos
Depois

18 de mar de 2009

COMPORTAMENTO - FAMÍLIA

A criança como agente de mudança na família
Maria Tereza Maldonado
Mestre em Psicologia pela PUC/RJ
"As crianças são muito literárias porque dizem como sentem e não como deve sentir quem sente segundo outra pessoa."
(Fernando Pessoa)
enato olhava, embevecido, para Fátima, sua filhinha de três meses; ela olhava bem nos olhos do pai, e fazia sons que o enterneciam e o alegravam; falava com ela, que se mexia, virava o rosto, tornava a encará-lo, emitia novos sons. E, assim, a comunicação amorosa entre pai e filha prosseguiu por mais algum tempo.
Fátima foi adotada por Renato e Simone com dois dias de nascida, depois de quinze anos de espera e tratamentos infrutíferos que mesclavam esperança e frustração. A escolha do caminho da adoção, a vinda de Fátima e a construção do amor que não depende da biologia fizeram nascer em Renato e Simone novas possibilidades de ser. O espaço da maternidade e da paternidade, na adoção, é um entrelaçamento de sofrimento e esperança: há uma criança que foi abandonada ou doada, à espera de uma família que a acolha; há os adultos que adotam, em sua maioria, por não terem conseguido a gravidez ou, em alguns casos, por se sensibilizarem pela situação das crianças abandonadas. O bebê, pelo simples fato de estar ali, de existir, de demandar cuidados e dedicação, e de começar todo um processo de comunicação desencadeia profundas mudanças na família, qualquer que seja sua composição. O bebê nasce para a família e para o mundo, o homem e a mulher nascem (ou renascem, a cada novo filho) como pai e mãe.
Denise tinha acabado de romper um namoro de quase três anos com Paulo. Uma relação cheia de altos e baixos, tapas e abraços, brigavam muito por nada, o que gerava muito sofrimento e frustração. Um mês depois do rompimento, Denise descobriu que estava grávida. Procurou Paulo, acabaram reatando e resolveram morar juntos. Com seis meses de gestação, o parto prematuro. Erick nasceu com problemas respiratórios graves. Crises sucessivas: rompimento de namoro, decisão de morar juntos em função do filho imprevisto, parto prematuro, bebê correndo risco de vida. No meio da turbulência, novas brigas e grandes revisões: a própria situação de Erick, brigando sério para viver, em meio a sofrimentos reais, e não fabricados como pretexto estimularam Denise e Paulo a pararem para pensar em como estavam vivendo a própria vida. Tempestades verdadeiras desmascaram as tempestades em copos d’água.
Para muitas crianças, nem tudo são flores na época do nascimento. Há caminhos de vida que começam cheios de obstáculos a serem enfrentados. Os pequenos guerreiros que ficam semanas ou meses internados nas UTIs neonatais são bons exemplos disto. Muitas vezes oscilando entre a vida e a morte, os prematuros em estado grave desenvolvem desde cedo este espírito de luta pela própria vida e toda a família entra em crise. É comum que os pais se sintam culpados pelo nascimento prematuro ou pelas doenças e problemas da criança. Este sentimento de culpa combinado com o medo da perda faz com que muitos pais tenham medo do contato com o bebê na UTI: a barreira dos fios dos aparelhos e da própria incubadora constrange alguns pais; o aspecto frágil do filho os assusta, a presença de uma equipe em permanente vigilância lhes tira a espontaneidade.
Nas UTIs neonatais em que a equipe presta assistência mais ampla, cuidando não só do bebê em estado grave, mas também da família em crise, é permitida a entrada dos pais na maior parte do tempo e, ocasionalmente, dos irmãos do bebê para que tenham a oportunidade de conhecê-lo e entrar em contato com ele. A observação dessas situações mostra o poder de influência das crianças pequenas no estado emocional dos pais. Quando entram na UTI, as crianças não costumam se chocar como os pais; mostram muita curiosidade pelo irmãozinho e gostam da idéia de tocá-lo, pelas aberturas da incubadora. Estes gestos espontâneos, sensíveis ajudam os próprios pais a superar a barreira da culpa e do medo. Ao verem os outros filhos tocarem o irmão e manifestarem carinho e curiosidade, sentem-se mais encorajados a fazer o mesmo. São pequenos gestos com grandes significados: mesmo com o risco de perder, vale a pena se ligar com amor.
Irene e Leandro estão exaustos, ambos com olheiras e bastante irritadiços. Fábio, com um ano e meio, é uma criança hiperativa como poucas. É o primeiro filho de Irene e o terceiro de Leandro, os dois do seu primeiro casamento já passam dos vinte anos. Não tem mais paciência para "aturar criança pequena" e, embora quase não participe dos cuidados com o filho, não consegue dormir direito com os gritos estridentes de Fábio que acorda pelo menos três vezes por noite e com as reclamações da mulher pela sua falta de colaboração.
Diz Irene que, desde a época da gestação, o menino não sossegava. Recém-nascido, chorava demais e era difícil de acalmar; acostumou-se a dormir embalado ao colo; assim que o colocava no berço, despertava chorando. Até hoje, o processo de adormecê-lo consome algumas horas. Durante o dia, não pára quieto, quer mexer em tudo, anda pela casa toda e tenta escalar os móveis, numa agitação permanente.
Leandro, com os filhos já crescidos, não desejava ter mais um. Mas a maternidade fazia parte dos sonhos de Irene. Quando os dois se conheceram, a paixão e as afinidades falaram mais alto do que a diferença de idade e de projetos de vida. Foram três anos de convívio intensamente prazeroso, em que saíam sozinhos ou em companhia dos amigos quase todas as noites. Embora soubessem que, com um bebê em casa, haveria mudanças e restrições na vida social, não esperavam chegar ao auge da exaustão e da irritabilidade, com babás que não agüentam ficar com Fábio mais do que alguns meses e sem familiares dispostos a lidar com uma criança hiperativa.
Os pais influenciam a conduta da criança, mas as características da criança (seu temperamento, as estratégias de relação que desenvolve, etc) também influenciam os pais e outros familiares. Em situações como essa, a criança é agente de mudanças catastróficas no equilíbrio do casal, colocando desafios especiais para o convívio.
Quando Sílvio chega do trabalho, corre para ver "a princesa" Betina, sua filha de quatro anos. Abraça-a, pergunta se ele é seu príncipe. Betina se derrete em beijos e abraços, agarrada ao pai. Débora se ressente, acha exagerada essa festa entre pai e filha. Também é muito agarrada à Betina, mas não gosta de ver Sílvio entrando em casa e falando com ela sempre depois de estar com a menina. Betina gosta de se enfeitar para o pai, quer usar os batons e os perfumes da mãe: o cenário edípico está montado em mão dupla, pois Sílvio está muito mais sedutor com a filha do que com a mulher. O casal sai muito pouco, tem dificuldade de encontrar alguém confiável para tomar conta da menina à noite ou nos fins de semana.
As limitações não se restringem às atividades sociais: também a vida sexual do casal ficou extremamente empobrecida, pela preocupação de que Betina possa "precisar de alguma coisa". A porta do quarto permanece aberta e, de fato, a menina acorda de madrugada e se instala no meio de pai e mãe. Débora faz tímidas tentativas de levar a filha de volta ao quarto, mas Sílvio fica com pena e prefere que a menina permaneça entre eles. Betina percebe a situação e "joga charme" para o pai, dizendo que adora dormir agarradinha com ele. A criança, quando percebe este espaço aberto, entra no jogo com muita satisfação, pois entrevê a realização do sonho de ter pai e mãe inteiramente disponíveis para ela. É um sonho gratificante, porém nocivo, pois dificulta o desenvolvimento da autonomia e da percepção (frustrante, porém necessária) de que ela não é o centro do universo.
Para muitos casais, a chegada do filho os transforma em pai e mãe e pouco sobra do homem e da mulher. Torna-se difícil a mescla dessas diferentes funções na vida do dia a dia. É comum que o potencial de sedução, a carência e a frustração se canalizem no contato com os filhos. Isto pode passar de uma geração a outra: a percepção que o homem e a mulher tiveram de seus próprios pais como casais não erotizados exerce uma influência importante na maneira como viverão a própria sexualidade, ao entrarem no caminho da maternidade e da paternidade. Sílvio e Débora se impuseram grandes restrições na própria sensualidade, em especial após o nascimento da menina. Neste casal pouco erotizado, é possível que a necessária desilusão das fantasias edípicas não aconteça, e Betina continue sendo a "princesinha do papai", ocupando o lugar da mãe e aperfeiçoando suas estratégias de obter poder pela sedução.
O cenário da casa de Joel, Sheila e seus três filhos é de guerra permanente. Joel tem temperamento explosivo, qualquer coisa vira motivo de briga e, então, grita, xinga e deprecia Sheila. Esta, por sua vez, transforma tristeza e mágoa em raiva e rancor, devolvendo os xingamentos e ameaçando sumir de casa. Os três meninos também brigam muito entre si, os dois maiores formando uma aliança contra o menor, de seis anos, excluindo-o das brincadeiras e mexendo em seus brinquedos preferidos. Quando isto acontece, chora e pede ajuda para enfrentar os "irmãos grandes". Os pais castigam e batem muito nos filhos, pelas brigas incessantes entre eles e pela falta de educação na mesa de jantar. As brigas familiares também acontecem quando os meninos disputam o lugar preferido no sofá e no banco do carro. A gritaria é geral e o clima é de intenso mal-estar e irritabilidade.
Diogo, o de seis anos, é o que mais tenta facilitar acordos entre os "adversários". Embora também fique enraivecido, é muito sensível, desenvolveu uma percepção bastante acurada do circuito das brigas e, em algumas ocasiões, intervém pelo confronto e por sugestões que resultariam em melhor convívio. Diz para os pais coisas do tipo: "Não entendo por que vocês nos deixam de castigo quando estamos brigando. Vocês também brigam sem parar e ficam se xingando, igualzinho à gente. Só que nós não podemos deixar vocês de castigo!"; "Mãe, já ouvi, não precisa gritar comigo!"; "Pai, se você deixasse a mamãe acabar de falar, e fosse bem educado com ela, vocês não brigariam tanto".

O sofrimento de Diogo é intenso, pelo medo de que os pais se separem. Assumiu o cargo de diplomata da família, procurando ajudar na reconciliação das brigas do casal, juntando a mão do pai com a da mãe, sentando-se entre os dois e puxando conversa sobre amenidades para aliviar o clima hostil. Há ocasiões em que as intervenções de Diogo são bem sucedidas e os pais param para refletir no que estão fazendo um com o outro e com os filhos. Mas é evidente que isto ainda é pouco para modificar estruturas tão profundas como a compulsão à briga. Sobretudo porque, aos seis anos, é uma carga pesada e indevida atuar como agente reconciliador, embora o que diga e faça possa até facilitar lampejos de reflexão em seus pais.
É provável que Diogo continue desenvolvendo sua sensibilidade para captar as sutilezas dos circuitos de comunicação e aprimorar a qualidade de suas intervenções para tentar harmonizar as divergências. É possível que isto venha a ser uma característica importante até mesmo em seu trabalho. Mesmo vivendo num clima de muitas brigas e profundas hostilidades, Diogo poderá desenvolver sua amorosidade e sua capacidade de compreensão e compaixão. Há muitas crianças que acabam crescendo bem, apesar das dificuldades dos pais ou do contexto em que vivem. É a "resiliência" – a capacidade de enfrentar adversidades e a força de vencer os obstáculos.
Silvana, desde muito pequena, mostrava-se retraída no contato com as pessoas e era considerada como um "bebê sério" que pouco sorria. Com dois anos, sofreu um acidente, teve que se submeter a uma cirurgia de urgência e ficou duas semanas hospitalizada. Quando começou o tratamento psicoterápico, aos quatro anos, estava cheia de medos e intensamente arredia ao contato com crianças e adultos, conhecidos e desconhecidos. Pais e avós se preocupavam e se sentiam constrangidos com tanta retração, já que Silvana sequer respondia a um "bom-dia", não permitia que ninguém a abraçasse e a beijasse, ia às festas, mas não participava das brincadeiras e ficava zangada quando alguém a elogiava.
Sua irmã, um ano mais nova, é uma criança alegre e extremamente sociável. Encanta as pessoas com seu sorriso, relaciona-se bem com crianças e adultos e apresenta apenas os medos normais de sua idade. Em conseqüência disso, as pessoas falam com Clarisse de modo mais aberto e afetuoso do que a Silvana. As duas irmãs se dão bem, gostam de brincar juntas, e repartem o mesmo quarto sem maiores problemas. Avaliando o potencial de auxílio terapêutico desse relacionamento, algumas consultas foram programadas incluindo Clarisse. As brincadeiras entre a terapeuta e as duas meninas giravam em torno de temas sociais tais como festas na casa de bonecas, teatro de fantoches, passeios e viagens em grupos. Com isto, as questões da retração, da vergonha e do medo puderam ser trabalhados em maior profundidade. A presença de Clarisse com sua facilidade de contato ajudou imensamente o trabalho terapêutico de Silvana.
Em certa ocasião, o pai ficou muito irritado quando Silvana se recusou a lhe dar um beijo de despedida, pois viajaria a trabalho por uma semana. Repreendeu a menina, que fez cara de zanga e de mágoa e foi para o quarto chorando. Clarisse ficou aflita e disse ao pai: "Você não entende que ela tem vergonha de beijo?", e foi correndo consolar a irmã.
A relação entre os irmãos tem um potencial de influência recíproca muito grande, que precisa ser mais estudado e explorado. Mesmo com apenas dois ou três anos, as crianças apresentam capacidade de empatia, solidariedade, capacidade de compreensão e de ajuda. Isto se torna especialmente evidente quando os adultos estão sintonizados com a linguagem dos sentimentos e procuram facilitar sua expressão nas cenas do cotidiano familiar.
As várias cenas apresentadas procuraram mostrar, sob vários ângulos, o papel da criança como agente de mudança na família. Pelo simples fato de nascerem, com suas características e suas necessidades, mexem profundamente na afetividade dos pais e de outros familiares. Na medida em que, ainda nos primeiros anos de vida, desenvolvem a percepção do que acontece nas interações, montam suas estratégias de conduta, buscando o caminho da satisfação de suas necessidades, inclusive a de obter poder; com o desdobramento da sensibilidade e da curiosidade, captam matizes mais refinados e respondem a eles com clareza e espontaneidade.

Infelizmente, o processo educacional tende a abafar progressivamente essa naturalidade com a censura e a crítica a sentimentos e não apenas a determinadas condutas inaceitáveis. Deste modo, as crianças correm o risco de embutirem e até mesmo de embotarem o que sentem para se tornarem "pessoas adequadas", preenchendo as expectativas alheias, porém limitadas em seu potencial de sensibilidade.
Felizmente, isto nem sempre acontece: quando a família, qualquer que seja sua composição, cuida do respeito pelo que é percebido e sentido, desenvolve-se a capacidade de escuta sensível e se abre o espaço de trocas e de descobertas que faz com que o crescimento das crianças acarrete também o crescimento dos adultos, em relações familiares em que predominam a cumplicidade e a solidariedade. Da mesma forma, a equipe escolar também pode atuar no sentido de desenvolver, desde os primeiros anos de vida, a capacidade de empatia, ampliando os recursos de comunicação que permitem o desenvolvimento da "inteligência emocional": a clareza de expressão, a criatividade para gerar saídas para impasses e conflitos, o controle da impulsividade, a canalização da agressividade para fins construtivos, e a percepção da própria capacidade para tomar iniciativas de mudanças significativas nos relacionamentos.
Com isso, o potencial natural de crianças e jovens como agentes de mudança no cenário familiar pode se expandir para outros cenários de convívio, como a escola e a comunidade, possibilitando fortalecer as raízes da cidadania participativa.

9 de mar de 2009

CARREIRA- PROFISSÃO

Você é a pessoa certa no lugar certo?
Seis perguntas que vão ajudar você a responder essa questão crucial para a sua carreira
Por Márcia Rocha
Pois é, muitas vezes, a situação profissional fica mesmo meio morna e entediante. De vez em quando, é normal não haver nada de novo no front. O problema é quando essa pasmaceira se prolonga. O psicólogo Alcino Therezo Junior, já passou por isso. Só que, com ele, a história foi meio na base do tratamento de choque. "A ficha caiu quando vi o presidente da empresa em que trabalhava usando um post-it para anotar as diretrizes de RH", diz ele, que atuamente é diretor de desenvolvimento organizacional para a América Latina da EDS, multinacional americana de TI (leia mais no artigo O RH no post-it). De uma certa maneira, Alcino teve sorte, porque conseguiu resolver as coisas rapidamente. Mas, como o caso dele não é do mais comuns, é melhor ficar de olho em alguns sinais que indicam que está na hora de tomar outro rumo na carreira. Tenha sempre em mente que não é só a empresa que o escolhe - você também tem direito de escolher onde quer trabalhar. Veja agora as dicas de Alcino para descobrir se você é mesmo a pessoa certa no lugar certo:
1. Você se identifica com o negócio? - sim, porque não adianta nada trabalhar em uma empresa com a qual você não se identifica. Já pensou alguém que acha que Palm só serve como agenda trabalhando na área de tecnologia?
2. Você está esperando promoção há muito tempo? - isso pode ter várias explicações. A primeira -- e que não é boa de ouvir -- é que sua performance não anda mesmo lá essas coisas. Isso também indica uma postura passiva diante da carreira, porque é como se você estivesse esperando o reconhecimento do chefe cair do céu. "A terceira possibilidade é que, hoje em dia, com os orçamentos enxutos e equipes idem, fica difícil mesmo conseguir uma movimentação vertical na carreira. Se é isso o que você pretende, talvez seja mais fácil mudar de emprego", diz Alcino
3. Você ainda se lembra por que foi contratado? - certamente você chamou atenção da empresa por causa de alguma competência (ou competências). Será que isso ainda provoca admiração nas pessoas ou virou "carne de vaca"? É exatamente por isso que é preciso se reinventar sempre. Senão, você vira lugar comum, o que é um perigo.
4. Você é chamado para projetos e reuniões importantes? - se a resposta para essa pergunta for "não", é bom ficar de olho ligado. Pode ser sinal de que você está se tornando dispensável.
5. Você está achando estranho porque seu chefe não "pega mais no seu pé"? - pois é, esse sossego pode ter uma explicação ruim: desinteresse. É uma situação meio parecida com a de não ser chamado para reuniões e projetos cruciais para a empresa. "É por isso que eu vivo dizendo: peça feedback do chefe pelo menos duas vezes por ano (e não estou falando do processo formal, adotado por muitas empresas) e encare cada ciclo como uma nova contratação", diz Alcino.
6. Você vive reclamando? - se as coisas chegaram a esse ponto, melhor parar e pensar se você deve mesmo continuar a trabalhar nessa empresa. Sabe aquela história de "síndrome do Fantástico", de ficar triste quando a segunda-feira está chegando? Se está acontecendo com você, trate de se mexer?
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Fonte: Revista Você S/A

CARREIRA- COMPORTAMENTO

força da rádio-peão
Por Anne Dias
Quem nunca deu ouvidos à rádio-peão que atire a primeira pedra. Agora, cuidado. Muitas vezes ela é só um meio de propagação de fofoca. "A rádio-peão pode gerar prejuízos, porque dá mais atenção à fofoca do que ao trabalho", diz Eliane Aere, 42 anos, diretora de RH da Ticket e que comanda 250 pessoas. Veja a seguir o que Eliane, que tem de lidar diariamente com a rádio-peão, pensa em relação ao assunto:

Como um executivo (de qualquer área) pode usar a rádio peão a seu favor?
A rádio-peão existe em qualquer empresa. Ela deve ser usada para transformar o ambiente de trabalho o mais agradável possível. Sabendo que ela existe, o executivo deve conhecer quem são os formadores de opinião, quais as "pautas" mais abordadas e como ele deve utilizar a ferramenta a seu favor, como sua aliada. A rádio-peão é um canal não-oficial e oficioso. A empresa que consegue se equilibrar na comunicação não terá a rádio-peão como uma dor de cabeça. Será apenas uma manifestação natural e que jamais será extinta, pois é um processo humano se comunicar, interagir, comentar, concordar ou discordar de ações, palavras e atitudes.

E como os funcionários de um modo geral podem usar a rádio peão?
O funcionário precisa estar atento às notícias veiculadas pela rádio-peão. Muitas vezes ele precisa checar se a informação divulgada é verdadeira ou não. O rumor atende ao que chamamos a uma condição natural do ser humano de querer saber o que está acontecendo e procurar meios para sua segurança. Já cansei de ver pessoas com crises profundas, estresse e sintomas péssimos de saúde por ouvirem notícias que não eram verdadeiras. A rádio-peão pode gerar prejuízos para a empresa, porque dá mais atenção à fofoca do que ao trabalho. E a solução para combater a fofoca parece simples: ser mais rápido do que ela, com uma comunicação interna eficiente e que tenha foco no trabalho.

Muitas vezes a rádio peão é mais rápida e eficiente do que os comunicados oficiais sobre demissões ou contratações. Por que isso acontece?
Porque a notícia vaza em algum momento do processo: seja quando for desenhado o layout do comunicado ou quando ele for traduzido ou até durante sua aprovação. Neste trajeto, a informação passa por diversas áreas, diversas mãos. O importante é manter o sigilo, envolver poucas pessoas e ter um processo estruturado. A rádio-peão é uma realidade que não deve ser preocupação quando a comunicação entre todos na empresa, especialmente na direção, for clara, definida e sem segredos e meias-palavras. Toda vez que a comunicação acontecer assim, verdadeira e sem rodeios, a rádio-peão será um termômetro que não sinaliza febre, mas temperatura ambiente, normal e equilibrada.

A rádio peão atrapalha o trabalho do RH?
Quando se fala em comunicação interna se fala em compromisso, comprometimento. Nisso não podemos deixar de comentar sobre o papel das chefias e gerências no processo. Elas são partes fundamentais e devem ser os primeiros a se preocuparem com a comunicação interna, não deixando a responsabilidade apenas a cargo do RH. A responsabilidade é de todos. Comunicar, clara e indistintamente, é uma obrigação da empresa, pois assim pode tornar seus colaboradores comprometidos e engajados no objetivo da empresa. Até porque hoje, no mundo dos negócios, a palavra parceria é fundamental.
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Fonte: Revista Você S/A

CARREIRA-COMPORTAMENTO

Você vai ficar - bem - falado
Já que não dá para evitar a fofoca, saiba como fazer as conversinhas de corredor trabalharem a seu favor dentro e fora da empresa
Por Fabiana Correa e Marcia Rocha
Raul Junior
Há apenas uma coisa no mundo pior do que falarem mal de você: é não falarem sobre você. O autor dessa frase é o escritor irlandês Oscar Wilde, famoso por sua língua afiada. E ele estava certo. Se isso vale quando você está fora do trabalho, por que não valeria entre as quatro paredes da empresa? Rádio-peão, rádio-corredor, corredor press -- o nome não importa. A fofoca é uma realidade corporativa e existe desde que o mundo do trabalho é o mundo do trabalho. Estudos de longo prazo feitos em diversos países comprovam que as pessoas dedicam de um quinto a dois terços de sua conversa diária à fofoca. Outro estudo feito nos Estados Unidos revelou que um funcionário típico passa cerca de dois meses por ano dando com a língua nos dentes. Os papos informais na empresa são uma ótima desculpa para descobrir sobre o temperamento do novo chefe, entender quem é quem na diretoria, saber de novas vagas no mercado ou divulgar suas últimas realizações -- tudo assim, como quem não quer nada. Enfim, fofocar no mundo corporativo não tem a ver, necessariamente, com maledicência. Ao contrário, jogar conversa fora pode ser muito útil para a sua carreira. "Ficar ligado nas informações extra-oficiais é o que eu chamo de inteligência competitiva. Ajuda a entender os movimentos oficiais da empresa, a conhecer melhor as pessoas e a se adaptar à cultura de um lugar", diz Gutemberg de Macedo, da Gutemberg Consultores, de São Paulo, especializada em gestão de carreira. "Eu não usaria o termo fofoca, mas é importante ter fontes no mercado e na empresa. Todo profissional bem-sucedido tem insiders que o mantém informado", diz Francisco Britto, sócio-diretor da Boyden, empresa de headhunting de São Paulo. Ele mesmo é um grande usuário do disse-me-disse executivo. "Se alguém me diz que um profissional está saindo de uma empresa, deixo passar. Mas se duas ou três pessoas me dão a mesma informação, começo a acreditar." Inserir-se na rede informal de comunicação que se estabelece dentro de qualquer empresa não significa passar o dia de papo no corredor, mas fazer os contatos certos, ter acesso a dados importantes para o planejamento de sua carreira e à compreensão do comportamento alheio. "Eu sempre me aproximo das secretárias. Elas podem ter informações valiosas. Em uma dessas, você consegue uma brecha na agenda de alguém e entende melhor o estilo de trabalho do chefe", diz o paulista Emerson di Pieri, de 36 anos, que fez carreira no mercado financeiro e se prepara para assumir a chefia de um banco de investimentos na Suíça."Quando você fala de alguém, acaba se comparando a essa pessoa e fazendo uma espécie de auto-análise", diz Emrys Westacott, professor adjunto de filosofia da Alfred University, que fica no Estado de Nova York, nos Estados Unidos. Ou seja, a fofoca facilita o relacionamento entre as pessoas, melhora a coesão do grupo, reforça seus valores e ajuda a resolver alguns conflitos.
ENTRE NESSA REDEToda essa conversa também diz respeito à aceitação de determinado profissional no grupo de trabalho. Se uma informação relevante chega até seus ouvidos é um sinal claro de que você é da turma. Partilhar um dado de valor com alguém é uma prova de confiança e é também um sinal de poder da pessoa que passou a informação adiante. No ambiente corporativo, as conversas paralelas ajudam as pessoas a entender as regras implícitas da empresa e a entender por que estão trabalhando juntas. Nesse caso, a fofoca faz circular informações que geralmente não constam no manual de conduta da empresa, mas servem para que você se sinta incorporado à cultura local. "A fofoca é o espaço para o politicamente incorreto, para a descrença na informação oficial e para comunicar sem a liturgia do cargo", diz Silvio Genesini, presidente da Oracle, a multinacional de desenvolvimento de software, que não vê nenhum problema na comunicação extra-oficial.Para usar um exemplo clássico: se você fica sabendo que, entre outros motivos, aquele gerente foi demitido por ter um temperamento difícil, descobre, por tabela, que tipo de comportamento não é bem-visto -- e falado -- na empresa em que trabalha. Por outro lado, se avisam a você, em primeira mão, que um determinado departamento vai abrir vagas para um projeto internacional, você tem tempo de melhorar o inglês e se preparar para concorrer à vaga. Então, fique de ouvidos bem abertos porque muita informação de valor circula pelos corredores da empresa. E, muitas vezes, elas estão nas entrelinhas. O executivo Marco Leone Fernandes, diretor-geral da Computer Associates no Brasil, reconhece a importância de ser um bom ouvinte. "Se eu tenho um projeto para apresentar e todo mundo diz que a pessoa com quem vou falar é extremamente pragmática, é uma deixa para que eu reformule meu discurso", diz ele. Para que essas dicas cheguem ao seu ouvido, não dá para ser sovina. A relação é direta: para obter informações, é necessário dar outras em troca. "É a mesma lei das comadres: vale a retribuição", diz Moacir Carlos Sampaio, psicólogo social, professor do instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo. Você pode puxar o assunto intencionalmente. Não há mal nenhum nisso. O segredo é não ser interesseiro. "Quando a pessoa age assim, o interlocutor geralmente percebe e começa a sonegar informações", diz o consultor José Augusto Minarelli, da Lens & Minarelli, consultoria paulistana de recursos humanos. Como em toda relação de confiança, essa também tem sua ética (veja o quadro Não Morra Pela Boca): trate a informação com nobreza, preserve suas fontes e não colabore com boatos maldosos. "Jamais divulgue oficialmente algo que foi confidenciado a você", diz Silvio, presidente da Oracle. "Se você precisar usar essa informação, coloque-a em um contexto geral, como parte da conjuntura, sem revelar nomes ou detalhes." Ah, e use a regra número 1 de todo bom repórter: não "compre" nenhuma história sem antes verificar a veracidade dos fatos. "Ao ouvir qualquer coisa, cheque duas ou três vezes para não ir atrás de pistas falsas", diz Gutemberg de Macedo. E, acima de tudo, fuja da boataria cujo objetivo é prejudicar alguém -- ou a própria empresa --, de discussões sobre vida pessoal de quem quer que seja, de troca de segredos empresariais.
A FOFOCA A SEU FAVOR Essa rede informal de comunicação também trabalha para incrementar relacionamentos. Ao usá-la para fazer networking, o negócio é não encarregar o outro da lição que cabe a você. Assim, se quiser mudar de emprego, não adianta chegar e dizer: "Fulano, aquela empresa me interessa. Será que você poderia falar sobre mim?". No caso, o melhor é usar o que José Augusto Minarelli chama de técnica "coisa" para, nas palavras dele, "ajudar o outro a ajudar você": * C de conselho Entre no assunto dizendo que você está pensando seriamente em sair da zona de conforto e tentar um trabalho mais desafiador. Você pode fazer perguntas do tipo: "O que você me diz? Será que é uma boa hora para pensar nisso?". * O de orientação Continue na mesma toada, valorizando o conhecimento que a pessoa tem do assunto. Aqui cabem perguntas do tipo: "Com quem devo falar?", "Como devo abordar essa pessoa: por e-mail, telefone ou pessoalmente?" etc. * I de informação Agora o mote é descobrir mais dados para ajudá-lo em sua busca. Por exemplo: "Com quem mais eu posso falar sobre essa vaga?". * S de sugestão "O que você faria se estivesse em meu lugar?" é um bom exemplo de pergunta a fazer nesse caso. * A de acesso Finalmente, você chegou ao filé da conversa: pedir para que seu interlocutor fale de você ao chefe do outro departamento. Sair-se bem na arte da fofoca não tem só a ver com estar realmente disposto a trocar suas melhores figurinhas. O pano de fundo de uma sólida rede de relacionamentos está ligado a outro tipo de informação que também passa de boca em boca: sua reputação. Não se esqueça que a boa ou a má fama sempre precede o dono. Por isso, suas atitudes no dia-a-dia é que dão pano para o bate-papo na hora do cafezinho. Se acontecer de você ficar malfalado, é melhor manter a cabeça no lugar. Todo mundo tem seu dia de bola da vez e, em muitas ocasiões, se irritar com isso pode ser exatamente o que as pessoas precisam para fazer comentários ainda mais maldosos. Em outros casos, porém, é aconselhável tomar algumas providências para diminuir o zunzunzum (veja como no quadro Quando Você É o Assunto).
CONVERSAS DE CORREDORVocê pode até reduzir o volume, mas o fato é que a rádio-peão sempre existiu nas empresas. É possível dizer que, em linhas gerais, o que ela veicula vem mudando ao longo do tempo. "Há uns 20 anos, as conversas não eram bem-vindas no trabalho. Com tanta repressão, é claro que os comentários sempre tinham um teor negativo, com muitas críticas aos chefes e à empresa de maneira geral", diz o consultor Pedro Mandelli, da Mandelli Consultores Associados, de São Paulo. Foi basicamente por causa dos programas de qualidade total, em alta a partir da década de 90, que a conversa corporativa adquiriu outro status. "Sinergia, times, trabalhos por projeto, redução de níveis hierárquicos -- tudo isso contribuiu para que as pessoas falassem mais umas com as outras", diz Pedro. Para ele, a fofoca corporativa é a fonte genuína de informação da empresa. "Apesar de informal, é a mais importante. Os canais formais existem para dar suporte ao que os funcionários falam na hora do cafezinho", diz Pedro. O líder que não se dá conta disso corre sério risco de ficar malfalado. "Hoje, cerca de 70% do trabalho de um líder envolve a mobilização de pessoas. E ouvir o que elas dizem faz parte disso", afirma. Aliás, os chefes mais espertos sabem que, quanto mais saudável o ambiente de trabalho, mais há espaço para conversas. Alguns capitalizam em cima disso e promovem encontros "oficiais" para a fofocagem, em que há espaço total para a conversa fiada. Em empresas como o laboratório farmacêutico Bristol-Myers Squibb, que está na edição 2005 do Guia EXAME-VOCÊ S/A As Melhores Empresas para Você Trabalhar, as conversas de corredor são acompanhadas de perto -- principalmente se a maledicência correr solta. "A rádio-peão veicula informações em alta velocidade e, se a notícia em questão for ruim, o clima da empresa perde muito", diz Felipe Westin, diretor de recursos humanos do Bristol-Myers Squibb. Por isso, no Bristol não faltam instrumentos para afinar a comunicação interna. No Grupo Algar, outro participante do Guia de 2005, a movimentação da rádio-peão também é acompanhada com cuidado. "Ela faz parte do folclore de qualquer empresa e dá vida ao ambiente de trabalho, mas é preciso tomar cuidado com seu poder destrutivo", diz Cícero Penha, diretor de talentos humanos do grupo. Cícero brinca, dizendo que a rádio-corredor é AM e que os comunicados oficiais da empresa circulam na FM. No grupo, que é composto por 17 empresas, a comunicação interna também é uma prioridade. Os líderes fazem reuniões semanais com seus subordinados e esclarecem todo tipo de dúvida. Assim, evitam boataria pela rádio-peão.
PAPO SAUDAVEL Na Oracle, a velocidade da rádio-peão é comentada com bom humor. Silvio Genesini, o presidente, conta que, em sua experiência de 20 anos como consultor, percebeu que não há como lutar contra a fofoca, apenas compreender que ela faz parte de qualquer corporação. Pelas suas contas, toda vez que há mudança na grade de salários, apenas algumas pessoas ficam sabendo oficialmente sobre o que se refere a sua área. Informalmente, no entanto, a notícia se espalha em outro ritmo. "Em aproximadamente duas horas, a empresa inteira já montou a curva de salários completa", diz Silvio. O executivo enxerga esse movimento como algo útil, pois a quantidade de reclamação sobre os salários dá a medida da satisfação das pessoas. "Se os comentários esfriarem três ou quatro dias depois, está tudo ok. Caso contrário, é melhor investigar a insatisfação." Ele não está errado. Quanto mais saudável o ambiente, mais rapidamente corre a informação, em um sinal de que as pessoas se sentem à vontade para dizer o que estão pensando. E que fique o recado: a fofoca corporativa deve trabalhar a favor de sua carreira -- e não prejudicar a vida ou o trabalho dos outros.
NÃO MORRA PELA BOCA Existe ética até mesmo na hora de fofocar. Veja como estabelecer uma relação de confiança com os outros e evitar que seus comentários se voltem contra você: Ouça mais Sabe por que temos duas orelhas e uma boca? Para ouvir mais e falar menos, diz um provérbio árabe. Abra o olho Na hora de passar seu recado, cuidado. A comunicação informal é algo que corre sem controle. Por isso, muita cautela ao escolher a pessoa com quem você vai falar. É do jeito dela que a história será passada adiante. Seja discreto Não gaste tempo comentando sobre fofocas correntes no escritório. Na hora do "vamos ver", você pode ser considerado culpado por associação. Seja do bem Fofoca corporativa é para trabalhar a favor de sua carreira. Portanto, não seja "língua de trapo" e, se algum comentário seu magoar alguém, peça desculpas imediatamente. Troque dados Não dá para ficar sabendo de tudo se você nunca diz nada de relevante. Para obter informações, coloque na roda algo que pode ser importante para a carreira do seu parceiro. *A enquete sobre fofoca no site da VOCÊ S/A foi ao ar durante novembro e dezembro de 2005 e teve a participação de 1 373 internautas
MANDE SEU RECADO O consultor José Augusto Minarelli, da Lens & Minarelli, dá algumas dicas para divulgar informações pela rádio-peão: Mande recado Se tiver absoluta confiança em alguém -- e somente nesse caso --, pode fazer a encomenda e pedir que essa pessoa dê o recado por você. Vá direto à fonte Não use intermediários se o recado for direto para o chefe -- espera-se que você tenha uma relação de confiança com ele. Foi o que fez o paulistano Henrique Tichauer, 31 anos. Em 2001, como gerente de produto de uma grande empresa do ramo farmacêutico, era o responsável pelo projeto na América Latina e fazia parte do grupo global de gerentes. Ao saber que haveria uma vaga na sede da empresa, nos EUA, passou a dizer ao chefe, indiretamente, que estava interessado na posição. O resultado veio quase um ano depois, quando o vice-presidente da companhia disse, no meio de uma reunião do grupo, que seria bom ter alguém como Henrique no board internacional do projeto. O chefe dele havia feito a indicação. Pense alto Caso você não tenha alguém confiável para ajudá-lo, a saída é fazer um comentário -- perto de um possível emissor -- do que você está planejando.
QUANDO VOCE É O ASSUNTO Quando a fofoca vira maledicência, boato, fuxico, sua carreira e sua imagem podem sair prejudicadas. O que fazer, então? Regra número 1: respeite a porporção A resposta tem de ser do tamanho do prejuízo. "Ao se pronunciar publicamente contra um boato, você pode chamar a atenção de quem nem sabia do mexerico", diz Francisco Britto, da Boyden. Logo, é sempre um risco divulgar um comunicado para a empresa inteira. Regra número 2: avalie o estrago Se o boato for algo danoso demais, vale a pena se pronunciar publicamente, pois as conseqüências podem ser ruins, mesmo que atinjam pouca gente. *A enquete sobre fofoca no site da VOCÊ S/A foi ao ar durante novembro e dezembro de 2005 e teve a participação de 1 373 internautas
PRATO DO DIA Como escreveu o irlandês George Bernard Shaw: ninguém faz fofoca sobre as virtudes das outras pessoas. Certamente é por isso que a vida amorosa do colega da baia ao lado é sempre um prato cheio para os maledicentes de plantão, principalmente quando há detalhes picantes envolvidos. Confira três casos que deram pano para manga na imprensa: * Em março do ano passado, Harry Stonecipher, CEO da Boeing, recebeu o cartão vermelho por causa de seu namoro com uma executiva da empresa. * No final de 2004, a apresentadora de TV Luciana Gimenez, ganhou destaque na mídia -- e não foi por causa de sua fama de atrapalhada --, mas pelo namoro com Marcelo de Carvalho, sócio e vice-presidente da Rede TV!. Em outras palavras: seu chefe. Louie Psihoyos/CORBIS John Tlumacky/AP* O namoro -- que depois virou casamento -- de Suzy Wetlaufer, editora da Harvard Business Review, com Jack Welch, ex-CEO da GE, custou o emprego dela. Eles se apaixonaram durante uma entrevista que o executivo deu à jornalista em 2002. Suzy era famosa na redação da revista por seus romances com alguns de seus entrevistados -- geralmente o crème de la crème do mundo executivo.
CONTATO IMEDIATO Há cerca de três anos o engenheiro Alexander Gregorian, de 27 anos, deixou o cargo de gerente de produção na fábrica da Procter & Gamble, em Louveira (SP), para ser supervisor de outra empresa, a TetraPak, fabricante de embalagens longa vida, em Monte-Mor (SP). Embora estivesse feliz com a mudança e com a perspectiva de crescimento, ele queria voltar a exibir o título de gerente. Em uma conversa informal, seu chefe, o gerente-geral da planta, deu uma dica valiosa para que Alexander conseguisse a promoção. Contou que ele conseguiria destaque se desenvolvesse um projeto almejado há anos pela companhia. "Eu sabia que, se fizesse esse projeto andar, alcançaria visibilidade", diz. Claro que a informação só chegou aos seus ouvidos porque o engenheiro provou sua competência. "Em um ano e meio, concluí o projeto", diz. O chefe então conseguiu um espaço para que ele apresentasse o trabalho em uma convenção mundial. O resultado não poderia ser melhor: a fábrica brasileira virou referência e o processo deve ser adotado pelas 53 plantas da TetraPak no mundo. A promoção chegou junto com o reconhecimento. "Hoje, o pessoal na China sabe quem eu sou graças a uma dica valiosa, mas que só me foi dada porque apostei na empresa e investi tempo e esforço." A tal dica surgiu em uma conversa de corredor, sem caráter oficial. É o tipo de disse-me-disse do bem que estamos falando aqui. "Sempre me fiz confiar, estabeleci vínculos e isso acabou rendendo frutos."
TEM HORA PRA TUDO Cafezinho, happy hour, corredor e até academia. O paulistano Rogerio Munuera, de 27 anos, diretor de vendas e marketing da Cernet, uma distribuidora brasileira de software, de São Paulo, sempre usou as conversas descontraídas que acontecem nesses ambientes para se movimentar na carreira. Por exemplo: durante um jogo de tênis com o diretor da empresa (na época, ele era gerente) Rogerio conseguiu abertura para pedir uma mudança em seu sistema de bonificação. Foi a conversa certa no lugar certo e o assunto acabou sendo levado à presidência, que acatou o pedido. "Quando o ambiente é informal, fica mais fácil levar essas conversas. Elas entram no meio de outros assuntos, mais leves. E, geralmente, as pessoas estão mais abertas a ouvir", diz Rogerio. O aprendizado da importância dessa comunicação informal nos passos da carreira está ligado à natureza de seu trabalho. "Na área de tecnologia, trabalho de bastidores é tudo. Todo mundo se conhece e as informações correm rapidamente ", diz. Por isso, Rogerio sempre apostou nas conversas paralelas. "É assim que eu faço a política da boa vizinhança e aproveito para divulgar meus objetivos profissionais. Tem sempre alguém interessado."
Fonte: Revista Você S/A- Edição 91

SAUDE-ESTRESSE,DEPRESSÃO

Estresse, depressão e trabalho
Em abril de 2004, a VOCÊ S/A promoveu um bate-papo online entre a psicóloga Ana Maria Rossi e os leitores. Veja como foi a discussão
A psicóloga gaúcha Ana Maria Rossi é presidente no Brasil da International Stress Management Association. Doutora pela Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, ela estuda as causas de estresse e depressão em executivos há 30 anos. Na terça-feira, dia 17, a psicóloga participou do bate-papo online de VOCÊ S/A. Durante uma hora, Ana respondeu às perguntas dos leitores. Confira. Vivo sob constante pressão e não estou conseguindo fazer nada além de pensar em meu trabalho, você sugere alguma terapia?
Dra. Ana Maria Rossi - A tendência no mercado de trabalho é que as pressões e as demandas aumentem cada vez mais. É responsabilidade de cada um de nós estabelecer limites que nos possibilitem preservar a saúde e nossa qualidade de vida. A necessidade de terapia dependerá do grau de disfunção que experiencias no momento. Sugiro que consideres fazer alguma atividade física regularmente e incluas na tua rotina alguma técnica de relaxamento como a meditação, yoga, etc. Como identificar problemas de saúde relacionados ao stress. Existem problemas mais comuns, por exemplo? E que tipo de especialista devo procurar neste caso?
Dra. Ana Maria Rossi - Os problemas de saúde podem se manifestar através de sintomas físicos, emocionais e comportamentais. Entre os sintomas físicos, os mais freqüentes são: as dores musculares, incluindo dor de cabeça, taquicardia, hipertensão arterial e problemas gastrintestinais. Sintomas emocionais: angústia, depressão, ansiedade, preocupação e insônia. Comportamentais: agressividade/passividade, distúrbios alimentares e mudanças na libido. Como um profissional que está em depressão pode ser considerado bom no que faz, se a doença afeta seu desempenho?
Dra. Ana Maria Rossi - Sem dúvida, a depressão não apenas afeta o desempenho como a qualidade do sono, o nível de energia, o apetite, a libido, enfim, afeta a vida da pessoa como um todo. Por que essa questão do stress e trabalho se tornou tão comum?
Dra. Ana Maria Rossi - Realmente, se tornou tão comum que está tendendo para o trivial. Mas, não há dúvida de que o impacto do stress na saúde e na qualidade de vida da pessoa podem ser um estímulo e motivá-la a atingir seus objetivos como pode gerar situações devastadoras. Como lidar com o stress que caminha para a depressão, se não for possível eliminar a causa? Como conviver com ela?
Dra. Ana Maria Rossi - O importante é que a pessoa possa exercitar autocontrole lembrando que se não tiver controle para mudar a situação, pode sempre controlar a maneira como reage fisiologica e emocionalmente à situação. A depressão está entre os sintomas emocionais mais freqüentes assim como os distúrbios de ansiedade. Sou bacharel em direito, formado há dois anos e tenho desde essa época estudado pra concursos. Às vezes tenho muito sono e não tenho vontade de estudar. Já li sobre o assunto e gostaria de saber se isso é um sinal de depressão ou stress?
Dra. Ana Maria Rossi - Os distúrbios de sono (muito ou pouco), e a sonolência podem ser sintomas de stress, assim como de alguns distúrbios emocionais, inclusive a depressão. No entanto, pode também sinalizar falta de motivação e tédio. Qual sugestão a sra. me daria entao? Gosto muito do direito, mas quando estudo tenho a sensação de que não estou assimilando nada e de que não chegarei a lugar nenhum?
Dra. Ana Maria Rossi - Talvez o fato de estares estudando a tanto tempo já tenha se tornado uma rotina e não apresente o desafio que precisamos para ativar a nossa concentração e o nosso interesse. Sugiro que avalies o horário que estás estudando, a alimentação que consomes antes de estudar e as atividades que te envolves antes. Também, verifica se o ambiente é bem arejado, limpo e bem iluminado para que tenhas as condições mais propícias ao estudo. Como se exercita o autocontrole emocional?
Dra. Ana Maria Rossi - O autocontrole se exercita através do autoconhecimento (a pessoa conhecer seus limites e suas potencialidades) e da disciplina mental para que ela tenha o poder de focalizar sua atenção naquilo que ela deseja e que não se torne uma escrava dos seus próprios pensamentos. O autocontrole requer prática regular e principalmente quando a pessoa estiver se sentindo emocionalmente estável. Este é o momento ideal para ela treinar. Ter um elevado grau de autoconhecimento nem sempre ajuda a combater o stress/depressão, né? Pode acontecer que a ansiedade seja maior ainda por ter consciência das limitações?
Dra. Ana Maria Rossi - Certamente, o autoconhecimento é importante mas não é suficiente. Uma vez que a pessoa identifique algum sintoma ou problema e não se sinta apta para lidar adequadamente com ele, ela pode ficar ainda mais estressada e ansiosa. O ideal é que o autoconhecimento motive a pessoa a buscar técnicas eficientes para controlar as suas emoções. Trabalho por conta própria e tirar férias é quase impossível. Nesses casos, tirar férias em semanas resolve ?
Dra. Ana Maria Rossi - As férias curtas e freqüentes atualmente são consideradas pelas pesquisas de stress como a forma ideal de recarregar a bateria sem todo o acúmulo de stress inevitável quando se tira férias longas. Dra Ana, depois que ja entramos em um quadro depressivo digamos ativado pelo stress, é possível reverter?
Dra. Ana Maria Rossi - Depende do nível da depressão. Se a pessoa sofrer de depressão profunda que a torne disfuncional para suas atividades cotidianas, ela possivelmente necessitará de tratamento medicamentoso e terapia. Eu tenho uma forte tendência à procastinação, mas venho lutando contra ela. Alguma dica?
Dra. Ana Maria Rossi - A procastinação normalmente ocorre quando a pessoa tem uma baixa tolerância à crítica, se sente insegura em relação à sua qualificação para executar a tarefa ou está sobrecarregada. Além dessas situações, é claro que tem aquelas pessoas que estão condicionadas a ir empurrando as coisas com a barriga. Que tipos de praticas podem desenvolver o autocontrole?
Dra. Ana Maria Rossi - A disciplina mental é a condição mais importante para a prática do autocontrole. Ela pode ser exercitada através de técnicas de relaxamento e de meditação. Em relação a enfrentar as emoções e/ou pensamentos destrutivos, geralmente, o que é melhor: Tentar esqueçê-los ou encarar de frente?
Dra. Ana Maria Rossi - Depende da importância do evento e se a pessoa se sente apta a lidar com ele. Se a pessoa não tiver controle sobre a situação, é melhor virar a página. Se ela tiver controle, mas não se sentir qualificada no momento para enfrentá-la, deve procurar ajuda. Se ela estiver apta a lidar com a situação, é melhor que lide com ela para não ficar bloqueando sua energia. Às vezes os tratamentos nos deixam muito apáticos, eu mesma ja abandonei alguns. Acho que a medicacão faz com que deixemos de pensar, não?
Dra. Ana Maria Rossi - Alguns medicamentos podem interferir com a atividade cognitiva da pessoa. No entanto, se ela estiver num processo de depressão profunda ou sofrendo de uma ansiedade muito elevada, talvez seja o mais indicado até que a pessoa possa se estabilizar emocionalmente. Quanto às terapias, há inúmeras modalidades. Talvez possas buscar diferentes alternativas (cognitiva, comportamental) até achares a que melhor atende as tuas necessidades. Dra. montei a minha empresa e estou trabalhando muito, inclusive aos finais de semana. Isto tem me causado muito cansaço e stress. Ando constantemente com os nervos à flor da pele. O que devo fazer?
Dra. Ana Maria Rossi - Lamentavelmente, varinha de condão só existe na nossa fantasia. É importante seres realista a respeito das tuas limitações e ter a disciplina mental para ouvir o teu corpo. Freqüentemente, o excesso de trabalho diminui a qualidade e o nível de produtividade da pessoa. Sugiro que avalies o teu estilo de vida e procures aprimorá-lo para que te sintas mais preparada para lidar com as pressões que enfrentas nesse momento. Também trabalho de domingo a domingo, e muitas vezes parece que tenho que carregar o mundo nas costas e não tenho como fugir. Às vezes isto me dá uma certa inércia...
Dra. Ana Maria Rossi - Sugiro que visites o site da ISMA-BR (International Stress Management Association no Brasil), www.ismabrasil.com.br, link dicas de leitura. No site, encontrarás também um teste para medir o teu nível de stress e um link de perguntas mais frequentes que são enviadas pelos internautas. Qual o melhor exercício para relaxar? Existe algum que você recomede?
Dra. Ana Maria Rossi - Não fomos feitos para estar constantemente ligados. A excelência pessoal é fruto do equilíbrio entre o físico, o mental e o emocional. O melhor exercício para relaxar é sem qualquer dúvida a prática da respiração abdominal. Esta é a maneira mais eficiente para controlar as emoções e destensionar o corpo. Inspira sempre que for possível pelo nariz para purificar o ar e imagina que estás inflando um balão no abdomen. Expira pausadamente pelo nariz ou pela boca esvaziando o balão. Pratica o relaxamento principalmente quando estiveres te sentindo bem.
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Fonte: Revista Você S/A

SAUDE- DOR DE CABEÇA

Uma baita dor de cabeça
Saiba como a enxaqueca afeta a sua carreira e aprenda a evitar as crises
Por Maurício Oliveira
Heudes Regis
O catarinense Valdesir Galvan, 42 anos, diretor-geral do Hospital e Maternidade São Camilo (SP): dores insuportáveis prejudicam seu desempenho em cerca de cinco dias do mês
Se você dá um sorrisinho irônico ao saber que um colega faltou ao trabalho por estar com enxaqueca, saiba que isso não é uma desculpa esfarrapada. O mal atinge, em maior ou menor grau, algo entre 10% e 20% da população. E é a segunda doença que mais provoca faltas ao trabalho, atrás apenas da lombalgia, dor na região lombar. Suas vítimas perdem, em média, cinco dias anuais de trabalho, estudo ou lazer. Em alguns casos, muito mais do que isso. "Os prejuízos à qualidade de vida provocados pela enxaqueca, levando em conta os dias de inatividade e as dificuldades provocadas no relacionamento social, equivalem aos de doenças crônicas graves, como diabetes e artrite", afirma o clínico-geral Alexandre Feldman, diretor de um centro especializado em tratamento de dores de cabeça, que leva seu nome e fica em São Paulo, e autor do livro Enxaqueca ­ Finalmente uma Saída (Editora Arx).
Além da quase insuportável dor na cabeça, muitas vezes descrita como "uma facada que atravessa o crânio", os sintomas associados à enxaqueca podem incluir enjôos, vômitos, tontura, alterações visuais, formigamentos em várias partes do corpo, aversão a claridade, a barulho e a cheiros, e até mesmo dificuldade para andar e falar. O quadro completo, que nem sempre se manifesta, é assustador. A ponto de ser confundido, até por médicos, com ataques cardíacos. Um agravante para as empresas é que a faixa etária mais afetada é justamente a que corresponde ao auge da vida produtiva, dos 20 aos 50 anos. É o caso do administrador catarinense Valdesir Galvan, de 42 anos, diretor-geral do Hospital e Maternidade São Camilo, em São Paulo. Ele pressente a chegada da enxaqueca quando acorda com uma dorzinha distante na cabeça, que vai aumentando ao longo do dia. Quando fica insuportável, ele toma um analgésico injetável, que costuma resolver o problema em meia hora. A maior preocupação, no entanto, é reduzir a freqüência das crises. Para isso, ele faz um tratamento preventivo, com medicação diária. Apesar de todo acesso aos recursos da medicina, o executivo tem o desempenho profissional prejudicado pela enxaqueca em pelo menos cinco dias do mês.
Vários profissionais vivem o mesmo problema, mas preferem sofrer sozinhos. "Principalmente quem ocupa cargo de chefia tende a esconder que tem enxaqueca. Executivos não gostam de demonstrar fragilidade", afirma o neurologista Mário Peres, do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Segundo ele, as empresas deveriam mapear a incidência entre os funcionários e ajudá-los a lidar com a doença. Ele lembra que um ambiente de trabalho saudável ajuda a prevenir as crises, já que as pessoas que têm enxaqueca são menos tolerantes a variações de temperatura, a cheiros, a poeira e à falta de rotina em relação a tipos de alimentação e horários das refeições. Reduzir o ritmo, lidar melhor com os problemas e praticar uma atividade física também fazem diferença. "O padrão de vida típico da vida corporativa, com estresse, ansiedade e falta de exercícios físicos, é o cenário ideal para a enxaqueca", alerta Alexandre Feldman. Existe, ainda, uma relação entre a doença e a queda na produção da serotonina, neurotransmissor responsável por fazer os impulsos nervosos circularem entre as células do cérebro. Como a serotonina é produzida durante a noite, o clínico recomenda pelo menos oito horas diárias de sono, em completa escuridão. Valdesir sabe como isso é importante. "Nas semanas em que durmo pouco e me alimento mal, as crises são quase certas", conta o executivo, que trabalha dez a 12 horas por dia. "A saída seria uma vida menos estressante, mas isso não é fácil para um profissional que, como eu, tem muitas responsabilidades."
O quadro é ainda mais complicado entre as mulheres: a proporção é de quatro casos entre elas para um entre os homens. Uma das explicações é o excesso de estrogênio, hormônio feminino que superestimula o sistema nervoso e predispõe o cérebro à dor. Uma das vítimas é a publicitária paulista Flávia de Souza, de 30 anos, que trabalha numa empresa do setor automotivo, em São Paulo. Desde os 19 ela tem crises de enxaqueca. Na mais recente, foi parar três vezes no pronto-socorro, em uma semana, para receber medicação intravenosa. Para tentar evitar situações como essa, Flávia se submete a uma dieta que exclui derivados de leite, chocolate e álcool. "Os neurologistas disseram que é um problema com o qual tenho de conviver, mas ainda não me conformei."
O IMPACTO DA DOENÇA Os números da enxaqueca no Brasil assustam empresas e profissionais:
2a DOENÇA que mais provoca faltas ao trabalho, atrás apenas da lombalgia, dor na região lombar
4 VEZES MAIS freqüente na mulher, por causa do estrogênio, hormônio feminino
5 DIAS são perdidos anualmente por causa da doença. Em alguns casos, o prejuízo é maior.
Fonte: Revista você S/A.

SAÚDE - DOR DE CABEÇA

O impacto da dor
Por Maurício Oliveira
Leve em consideração as dores de cabeça de qualquer tipo que você teve nos últimos três meses para responder as perguntas abaixo:

1. Quantos dias de trabalho ou estudo você perdeu em função de dores de cabeça?

2. Em quantos dias a sua produtividade no trabalho ou nos estudos caiu pela metade ou menos em função de dores de cabeça? (Exclua os dias citados na pergunta anterior)

3. Em quantos dias você deixou de realizar afazeres domésticos (arrumar a casa, compras, etc) em função das dores de cabeça?

4. Em quantos dias a sua produtividade nos afazeres domésticos caiu pela metade ou menos em função de dores de cabeça? (Exclua os dias citados na pergunta anterior)

5. Em quantos dias você deixou de participar de atividades sociais, familiares ou de lazer em função das dores de cabeça?


RESULTADO - some o número de dias apontados nas cinco respostas

De 0 a 5: incapacidade mínima ou ausente, sem necessidade de tratamento.
De 6 a 10: incapacidade moderada; é aconselhável consultar um médico.
De 11 a 20: incapacidade considerável; exige acompanhamento médico.
Mais de 20: incapacidade severa, com necessidade urgente de tratamento.

VERDADES CORPORATIVAS

Mais verdades corporativas

Os outros trinta segredos do livro da consultora americana Cynthia Shapiro

Por Márcia Rocha

Na edição de fevereiro, publicamos alguns segredos de Corporate Confidential – 50 Secrets Your Company Doesn’t Want You to Know – and What to do About Them (ed. St. Martin’s Griffin). No livro, a autora, a consultora americana Cynthia Shapiro fala sobre a agenda oculta das empresas, um código secreto que todos que se preocupam com a carreira devem conhecer. São idéias polêmicas como “o RH não é amigo de ninguém”, “quem merece não recebe aumento” e “competência é o que menos importa”. A edição de fevereiro trouxe vinte segredos do livro da consultora. Conheça agora os trinta restantes:


1) A lei não pode proteger seu emprego
Muita gente acredita que a lei vai favorecê-los no caso de uma demissão infundada. Não confie nisso, porque muitas empresas conseguem encontrar meios de demitir um profissional sem que ele sequer imagine por que isso aconteceu.

2) Há mais coisas por trás de uma demissão do que você imagina

Toda empresa tem uma lista de funcionários “demitíveis”. É bem provável que você esteja na linha de tiro se: seu salário for maior do que o dos outros; você não tem um bom relacionamento com o chefe; você tem opiniões negativas –- e as declara em alto e bom som –- sobre a companhia; o projeto que você tocava foi cancelado; você teve um problema de saúde no último ano.

3) Ninguém vai lhe dizer que sua cabeça está a prêmio
Vejo muita gente cometer erros -- e perder o emprego por causa deles -- sem ter noção do que aconteceu. Mas por que as empresas não falam claramente sobre isso? Vivemos em uma sociedade litigiosa e elas têm mais receio de um processo judicial do que de omitir a verdade ou substituir um profissional.

4) É perigoso seguir o que a empresa diz
Todas as empresas têm uma agenda oculta. Para descobrir esse código, esqueça o discurso da companhia e concentre sua atenção em suas atitudes, no que ela valoriza. Por exemplo: os executivos vivem dizendo que dão o maior valor para a experiência, mas vêem, no dia-a-dia, funcionários que têm mais tempo de casa serem substituídos por outros mais jovens.

5) Não há espaço para você dizer o que pensa no trabalho
Se você ainda não reparou, as empresas não são democracias – elas operam de um jeito mais ditatorial. Por conta disso, cuidado com o que você diz. Lembre-se que, ao emitir suas opiniões em público, o impacto delas aumenta bastante.

6) Seu chefe é seu parceiro mais importante

Pense em seu chefe como aquele que tem o maior poder sobre a sua carreira dentro da empresa. Se você não é capaz de trabalhar em parceria com o chefe, quem garante que vai conseguir estabelecer bons relacionamentos com os colegas de trabalho e os clientes? Pode estar certo de que é isso que o chefe do seu chefe vai começar a se perguntar caso perceba que você não se dá bem com seu superior.

7) A fofoca pode fazer você ser visto como traidor
Para se proteger, evite ser visto na companhia de pessoas que são reconhecidas como fofoqueiras – mesmo que esteja apenas ouvindo o que elas estão dizendo. E se por acaso não conseguir brecar uma indiscrição, saia-se com um: ”nossa, eu não iria gostar que alguém falasse isso de mim” ou “eu acredito que essa pessoa preferiria que isso fosse mantido em segredo”. Se for o caso, saia de perto, mesmo que essa atitude signifique angariar antipatias. Lembre-se que, mais dia menos dia, você também vai “virar assunto”.

8) Emails podem arruinar sua carreira
Assuma que todos os emails que você enviou com seu endereço eletrônico comercial serão lidos pela empresa. Muitas fazem isso. Lembre-se que os emails duram para sempre: podem ser impressos e encaminhados para toda a empresa. Sabe aquela história de falar mal de alguém por email e enviar a mensagem, por engano, para o alvo de seus comentários? Já pensou se a pessoa em questão for seu chefe?

9) Se você estiver no campo errado pode ser confundido com o inimigo
Quem trabalha tem o hábito de pensar as coisas nos seguintes termos: nós, os funcionários; e eles, os chefes. Cuidado com isso, pois você não pode pensar “neles” como inimigos. Senão, sua carreira vai emperrar. Portanto, trate de se colocar no campo “deles” o quanto antes.

10) Não peça para ser promovido
As promoções são oferecidas, não solicitadas. Dizer para o chefe que você está “pronto” antes que ele perceba isso só servirá para irritá-lo. Em vez de pedir, trabalhe e se dedique ao máximo. Primeiro, você tem que provar que realmente está preparado para o próximo estágio. Só depois disso é o que chefe irá lhe oferecer a promoção.

11) Não importa se os rumores são falsos

Muita gente pensa que uma fofoca não pode prejudicá-los simplesmente porque é falsa. O que está em jogo não é a veracidade das informações, mas se a empresa acredita ou não no que está sendo dito.

12) Licença-maternidade ou problemas de saúde não são garantia de proteção
Antes de achar que está protegido ou que têm direitos, certifique-se do que a lei prevê para cada caso.

13) Você pode perder se processar a empresa

Quando alguma coisa ruim acontece e o funcionário se sente ofendido, a primeira coisa que vêm à cabeça dele é processar a companhia. Acontece que muita gente parte para isso sem se documentar e sem entender direito como a lei analisa aquele caso. Portanto, informe-se antes para não se decepcionar.

14) Cuide do dinheiro da empresa como se fosse seu
A empresa vive de olho em como seu dinheiro está sendo gasto pelos funcionários. Portanto, pense no dinheiro da empresa como se fosse seu. E saiba que aqueles relatórios de despesa que é preciso preencher de tempos em tempos funcionam como um teste secreto de sua lealdade à empresa.

15) Se você tem um novo chefe, trate de se aliar a ele

Você tem amor a sua carreira na empresa em que trabalha? Então, pare de pensar em seu novo chefe como um “invasor”.

16) Sua aparência diz quem você é
Não pense que seu visual não é avaliado pela empresa. É sim, porque fornece uma pista de quem você é. Portanto, cuidado para não se vestir de um jeito fashion demais, sexy demais ou casual demais. Lembre-se que você está no trabalho.

17) Você pode ter um romance com um colega do escritório sem que isso represente o fim de sua carreira

Mantenha segredo sobre seus relacionamentos amorosos no trabalho –- a menos que você seja um gestor e a pessoa em questão esteja em um nível hierárquico abaixo do seu. Se essa pessoa for sua subordinada, peça ao chefe para que um de vocês seja transferido. Se seu (sua) parceiro (a) não for subordinado a você, comente o fato com o chefe e garanta que isso não vai interferir no seu trabalho.

18) Conquiste a lealdade da empresa

Se você acha que a empresa está contra você, pense primeiro em como você age. Será que você tem demonstrado ser uma pessoa confiável o bastante para que a companhia retribua na mesma moeda? Se a resposta for “não”, trate de mudar de atitude para reverter essa situação. Pode ter certeza de que, se perceber que você é leal, a empresa vai corresponder.

19) A maneira como você trabalha é mais importante do que o que você produz

Tornar-se indispensável tem muito mais a ver com “como você trabalha” do que com “o que você produz”. Focar apenas no seu trabalho vai deixá-lo com uma visão estreita. Os profissionais mais bem sucedidos são aqueles que conseguem ir além e alinhar suas atividades com o futuro da empresa.

20) Surpreenda seu chefe todo o tempo

Se você não está tendo o retorno que espera do chefe, pode estar errando na maneira como apresenta seu trabalho a ele. Há dois tipos de pessoas: as do tipo auditório e as visuais. Se o seu chefe é do tipo auditório é melhor dizer as coisas, porque ele é do tipo que gosta de ouvir. Se ele for do tipo visual, a melhor tática é fazer apresentações com muitos gráficos e ilustrações de maneira que ele veja onde você está querendo chegar.

21) Há quatro coisas que as empresas valorizam

Mais uma vez, trabalhar bem não basta se você não der à empresa – e ao chefe – o que eles esperam de você:
- Seja flexível – Sem jogo de cintura não há como acompanhar a velocidade com que as coisas acontecem hoje em dia;
- Seja vendedor – Já reparou como os profissionais mais bem sucedidos têm algo de vendedores (se é que já não trabalharam com vendas de fato?). Eles se comunicam bem, sabem persuadir, negociar e conseguem vender suas idéias;
- Aprenda a falar bem em público – Quanto mais você evoluir na carreira, mais exigido será nesse ponto. Nada pior que um profissional competente que se atrapalha na hora de fazer uma apresentação ou de conduzir uma reunião. Se for preciso, faça um curso para desenvolver suas habilidades de orador.
- Mire alto – Todo grande executivo estabelece para si metas agressivas. Escreva cinco metas para cumprir durante este ano e comece a trabalhar naquela que vai fazer mais diferença em sua vida. Anote vinte atitudes que podem ajudá-lo a atingir esse objetivo e mãos à obra.

22) Aja como se fosse o dono da empresa
Seguindo essa linha de raciocínio, pense no chefe como seu principal cliente e nos colegas de trabalho como seus fornecedores. É isso mesmo: você vai se colocar a serviço deles. E tenha certeza de que isso não significa ficar abaixo deles, mas que é uma boa maneira de se tornar indispensável.

23) No trabalho, você está sempre no palco
Tudo o que você faz, cada almoço com clientes, festas da empresa, conversas telefônicas, projetos – absolutamente tudo está sendo observado e conta pontos a seu favor, ou não. Só depende de você.

24) Se promovido nem sempre é o paraíso que parece
Muitas promoções falham no primeiro ano e culminam em demissão ou remoção para um cargo de menor importância. É como se as pessoas fossem promovidas equivocadamente, sem estar preparadas para o novo cargo. Aí, é claro que elas vão derrapar na curva.

25) Não tenha medo de recusar uma promoção
Muita gente aceita uma promoção simplesmente porque o cargo lhe foi oferecido. Acontece que qualquer posição que uma pessoa ocupe na escala hierárquica deve estar alinhada com seus objetivos. Se não estiver, é preciso ter coragem de dizer “não”. E não se preocupe, porque, da mesma maneira que a empresa lhe deu essa oportunidade, dará outras no futuro.

26) Não seja centralizador
Tem muito gestor – geralmente os que acabaram de ganhar uma equipe – que acha que sabe tudo e coloca a mão na massa, fazendo o trabalho do time. Se você se identifica com isso, cuidado. Essas são duas armadilhas típicas de um gestor inexperiente que vão gerar problemas num futuro bem próximo: seu chefe vai reclamar que seu desempenho está abaixo do esperado.

27) Se a sua equipe está entregando menos do que você espera, a falha é sua
Criar um time de alta performance requer três coisas: persistência, objetivos claros e apoio. Muitos gestores se concentram no como desejam que o trabalho seja feito, mas o melhor é focar no que você espera como resultado final. Dê detalhes sobre suas expectativas e diga para todos se sentirem à vontade para procurar você sempre que precisarem esclarecer alguma coisa. Se o resultado não for bom, não culpe a pessoa: você falhou, porque não foi claro o suficiente. Por mais que seja difícil para você – e que seja preciso pedir que a pessoa refaça o trabalho duas ou mais vezes --, tente pensar dessa maneira. Isso vai ajudá-lo a criar um time totalmente afinado com você.

28) A liderança não é um pedestal, mas uma base

A visão de quem acabou de ser promovido costuma ser bem diferente do que a equipe espera dessa pessoa; enquanto o líder se vê como alguém que está acima dos outros; o time gostaria de encontrar no novo chefe como alguém que vai apoiá-los, que vai servir de base para que o trabalho seja realizado. Eu diria que essa segunda versão é a melhor se o seu objetivo é motivar as pessoas. Quem está no pedestal sempre é passível de ser derrubado.


29) As empresas têm memória curta

Não se apavore com todas as 28 verdades que estão aí em cima. Se você incorreu em algum ou alguns desses erros, fique sabendo que se mudar suas atitudes agora e de maneira consistente terá chance de dar uma reviravolta em sua imagem profissional e de deixar todos os seus erros no passado.

30) Tudo está nas suas mãos

Vá trabalhar todos os dias esperando sempre o melhor e use sua competência a seu favor. Lembre-se que você tem o poder de fazer escolhas que vão lhe abrir ou fechar portas na sua carreira. A empresa não é a entidade misteriosa que parece ser – elas apenas responde à maneira como você age.

Fonte: Revista Você S/A -março/2009.

VIDA CORPORATIVA

A vida (corporativa) como ela é
A americana Cynthia Shapiro revela bastidores da vida corporativa e diz que "competência é o que menos importa", "o RH não é seu amigo" e "quem merece não ganha aumento"
Por MÁRCIA ROCHA





À primeira vista, a consultora de carreira americana Cynthia Shapiro parece exagerada. Mas ela garante que não é paranóia acreditar que toda empresa tem uma agenda oculta, um código que é preciso desvendar para não ser eliminado do jogo. Esse é o pano de fundo de Corporate Confi dential — 50 Secrets Your Company Doesn’t Want You To Know and What To Do About Them (Editora St. Martin’s Griffi n), que, em português, pode ser traduzido como “Arquivo confi dencial corporativo — 50 segredos que a empresa não quer que você saiba e o que fazer a respeito disso”. Nos seus tempos de executiva de RH, Cynthia conheceu como as coisas funcionam do outro lado do balcão. “Quem pensa que tudo está sempre bem entra cego nesse jogo e é surpreendido no meio do caminho”, disse ela na entrevista que concedeu, por telefone, de seu escritório nos Estados Unidos. A seguir, selecionamos 20 segredos corporativos que estão no livro de Cynthia.
1 - Competência não é o mais importante
Não é só talento e trabalho duro que garantem seu emprego, mas a percepção que a companhia tem sobre você. Para descobrir isso, tente se olhar como se fosse o dono da empresa. Será que você é alguém que está alinhado com os interesses e políticas da companhia? Você trabalha com entusiasmo e senso de propriedade, ou está pensando apenas em pegar seu salário no fi m do mês?
2 - Os otimistas se saem melhor
Você tem todo o direito de ser do tipo que sempre enxerga o copo meio vazio. Acontece que as empresas costumam valorizar mais os otimistas, que, geralmente, passam a idéia de ser mais bem-sucedidos.
3 - O RH não é seu amigo
Não use o RH como confessionário, achando que ele é algo à parte. É claro que o que você disser não vai ser espalhado aos quatro ventos, mas, em determinadas circunstâncias, pode ter de ser revelado para quem toma as decisões na companhia, ou seja, seu chefe, outros executivos, o CEO. Sendo assim, suas “confidências” podem tirá-lo do páreo na hora de decidir, por exemplo, as promoções de sua área.
4 - Pare de provar e comece a providenciar
Se você acabou de ser promovido e ganhou uma equipe, não caia na armadilha de ficar provando que aquele cargo lhe pertence. Esse é um erro que a maioria das pessoas comete. Além de ser ruim para seu futuro na nova posição, agindo assim você vai afastar quem realmente o ajudará a se consolidar como gestor: sua equipe. Por isso, coloque-se a serviço do time e trabalhe para que todos consigam finalizar, e bem, o que têm para fazer. Esse é seu trabalho agora.
5 - Não revele a sua idade
O problema não é os outros saberem quantos anos você tem, mas agir de maneira a reforçar o medo que a empresa associa a profissionais desatualizados. Portanto, mantenha-se bem informado e risque do seu discurso frases como: “No meu tempo era assim” ou “Não sou bom com essas modernidades tecnológicas”.
6 - Não é inteligente ser inteligente
Geralmente, os recém-chegados são os mais ansiosos para mostrar o que sabem. E acabam se tornando muito inconvenientes, porque querem corrigir tudo — inclusive o chefe. Então, antes de falar, veja se suas idéias são bem-vindas.
7 - Para progredir na carreira, os outros têm de achar que você faz seu trabalho com o “pé nas costas”
Mesmo que esteja atolado, não demonstre. Se você parece sempre atarefado e ansioso, dificilmente vai ser cotado para receber uma promoção, que, no final das contas, significa mais trabalho pela frente.
8 - Pegue trabalho extra
Melhor ainda se for alguma coisa que seu chefe não gosta de fazer ou algum trabalho de uma área estratégica. Ao agir assim, você mostra para todos que dá conta do recado — não só do seu, mas do trabalho dos outros também.
9 - Ter amigos na empresa pode ser perigoso
Certa vez, conheci uma moça que era ótima profissional, do tipo entusiasmada com o trabalho e feliz com a empresa. Acontece que ela tinha uma amiga que era o oposto. Em um processo de demissão, essa moça foi para a rua junto com a outra. Ficou surpresa, claro! O problema é que a empresa achava que ela tinha sido “contaminada” pela outra e que iria se tornar uma profissional tão negativa quanto a amiga. Por isso, tome cuidado com suas amizades, ou seja discreto para não ser prejudicado.
10 - Falar sobre a vida pessoal no escritório pode prejudicar sua carreira
Você falou sobre seu divórcio para quem quisesse ouvir, inclusive para o chefe. Pouco tempo depois, ele tem que decidir quem vai tocar o novo projeto da área. Aí, ele pode pensar assim: “Não vou passar para o fulano que acabou de se divorciar para não estressá-lo ainda mais”. Entendeu agora por que você deve evitar comentar sobre sua vida pessoal no escritório?
11 - Quem merece não consegue aumento
Pedir aumento usando um “eu mereço” como argumento é a melhor maneira de conseguir um “não” como resposta. A empresa não quer saber se você merece ou não, mas se você agrega valor para os negócios. Então, esse deve ser sempre o pano de fundo do seu pedido.
12 - Nem pense em tirar um mês de férias
Hoje, com a velocidade com que as coisas acontecem, esse é o caminho certo para se tornar dispensável. As companhias são como organismos que se adaptam rapidamente a uma condição adversa — no caso, sua ausência. Melhor tirar uma semana de cada vez. Sete dias são a medida certa para fazer as pessoas sentirem falta de você e de seu trabalho.
13 - Para perder a batalha, comece a se defender
Em algum momento da carreira, você vai se confrontar com alguém. Isso é certo. Assim como também é certo que a empresa (e o chefe) não quer saber quem tem ou não razão. O que está sendo observado é como você lida com a situação. Por isso, na hora da discussão, resista à tentação de se defender. Simplesmente ouça. Pode apostar que você vai ser visto com outros olhos se começar a se comportar dessa maneira.
14 - A avaliação de desempenho não é sobre o seu desempenho
Nessas avaliações, o que está em jogo não é sua opinião sobre seu trabalho, mas como o chefe percebe sua performance. Para não ter surpresas ruins da próxima vez, é bom marcar reuniões periódicas para ver o que ele espera de você. E, na hora H, não se desculpe, não acuse ninguém nem diga que você já fez o que ele pediu.
15 - Não use a avaliação de desempenho como a única ocasião para dar feedback
Não espere uma ocasião formal para posicionar sua equipe sobre sua percepção das coisas. Assim, você prepara o espírito das pessoas para a avaliação de desempenho. E ganha a confiança delas, porque vai soar mais coerente.
16 - Se está tentando fazer sua equipe gostar de você, provavelmente já perdeu o respeito dela
A necessidade de ser querido pela equipe pode ser mortal para um gerente novo no cargo. Se você está preocupado com isso, é muito provável que não esteja agindo como gestor. Melhor não misturar as coisas. Afinal, você está lá para ajudar o time a se desenvolver, e não para ser amigo das pessoas.
17 - O problema não é errar, mas a maneira como você lida com isso
Todos cometem erros — do contínuo ao presidente. Na verdade, erros são um bom sinal porque mostram que as pessoas estão tentando novas soluções. Então, sua preocupação não deve ser com o erro em si, mas com a maneira como você age nessa situação: se assume a responsabilidade, mostra que aprendeu e que o fato não irá se repetir.
18 - Só porque você é o chefe não tem que saber todas as respostas
Você não é guru para ficar dando conselhos e resolvendo problemas para seus subordinados. Agindo assim, você está criando um bando de dependentes. Como gestor, seu trabalho é ajudar o time a descobrir a solução.
19 - Sua mesa diz quem vocêé
O visual de seu espaço de trabalho deve refl etir seu profi ssionalismo, não seu estilo pessoal. O dono de uma mesa bagunçada corre o risco de ser visto como um profi ssional caótico. Por outro lado, uma mesa vazia pode passar a mensagem de que a pessoa está só de passagem ou, pior, que não trabalha ali.
20 - Proteja seu “novo eu”
Você decidiu mudar de postura para melhorar sua situação no trabalho? Perfeito! Mas não entre em detalhes quando vierem perguntar por que você parece tão diferente. Diga apenas que percebeu como gosta do que faz. É o que eu chamo de proteger seu “novo eu”. Isso é importante até que a mudança se torne consistente e a empresa perceba que você realmente amadureceu.